Muitos acham que vestimos aquelas roupas de couro apertadas, desconfortáveis, capacetes coloridos apenas para chamar atenção.
Mas uma vez que as viseiras fumês são levantadas, o que se vê são olhos bonitos, limpos e cheios de lágrimas; olhos onde você poderia se perder neles, chegar em suas almas e ver o quanto pura elas são.
Tirando nossas roupas de couro e capacetes, você verá que somos como crianças grandes, nada mais que isso…
Gostamos da vida, de carne, cerveja e tudo que é bom.... Mas também continuamos procurando pela mãe quando as coisas dão errado…
Tem gente que diz que quando montamos em nossas motos, anjos e demônios vão conosco!
Pode até ser verdade. É um tipo de dualismo que faz esse estilo de vida ser tão rico em emoções, que fazem seu coração bater mais rápido, parecendo que vai sair pelo peito a qualquer momento...
Demônios fazem você acelerar.... Irracionais e violentas aceleradas, na hora que a adrenalina corre direto pelo corpo e você fica tremendo por vários minutos...
Anjos carregam com eles a face e as vozes dos que não estão mais conosco; vozes da experiência, que por vezes foram forjadas por ossos quebrados, mas que nos fazem pensar o quanto pode ser doloroso a brincadeira.
Sim é verdade que você pode morrer pilotando uma moto; isso pode acontecer com qualquer um de nós... E machuca, REALMENTE MACHUCA.
Mas nada se compara à quantidade de lembranças fantásticas, em "flashes", que duram uma eternidade de risadas e que deixam a vida muito mais alegre... Risadas altas e profundas que vem do coração, tão altas que fazem o sol brilhar num dia nublado.
Converse com qualquer um de nós. Peça para contarmos uma história de um dos nossos últimos passeios... Alguma curva da estrada de sua montanha preferida ou alguma viagem e você se perderá naqueles olhos sorridentes, naquele sorriso natural que, gradualmente, se espalha pelo rosto inteiro.
Mas converse com qualquer um de nós e pergunte como a vida seria, se algum dia tivéssemos de desistir de nossa paixão... Tudo que você irá escutar é o som do silêncio. E verá que aquele rosto sorridente do "garoto" ficará vazio...
Sim, você pode morrer em uma moto, mas acredite, não há melhor jeito de se viver o pouco tempo que nos é dado!
E se você não entendeu nada até agora, não se preocupe, você nunca entenderá!
Mas se um dia você estiver na estrada, com sua família na segurança de seu carro, e UM DE NÓS passar vagarosamente, e o seu filho, sentado no banco de trás, virar a cabeça e acenar, empolgado, cumprimentando o motociclista...
Não tente entendê-lo...
Ele, com toda sua inocência, vê em nós uma centelha de algo que você nunca reparou!
E pode ter certeza que o motociclista acenará também. Não há nada de errado nisso, pois você sabe que...
ANJOS, NA TERRA, SE CUMPRIMENTAM!
Autor: José Carlos Ramalho – Bodes do Asfalto
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Minha primeira "Long distance"
Não fiz o podcast como inicialmente planejado. Tive medo. Não sei especificamente do que, mas provavelmente da distração. Moto não é como carro, não dá pra coçar as costas ou ouvir aquela música que você gosta enquanto pilota. Administrar uma máquina de duas rodas com mais de 200kg no braço exige perícia, prudência e muita atenção.
Calça de motoboy contra a potencial chuva, botas com biqueira de aço e solado anti-derrapante recém adquiridas, neck para controlar o frio do vento na cara, jaqueta antiga mas virgem e uma oração como proteção. Era tudo que eu tinha naquela sexta pela manhã ao ligar os motores da minha moto. Jamais havia tomado uma estrada com previsão de pilotar por mais de meia hora pela frente. Aula teórica de pilotagem em grupo ministrada pelo sogro na noite anterior e pé, ou melhor, mão na estrada.
Saímos Pedro, eu e Bernardo, nessa ordem rasgando a BR 040 sentido Rio de Janeiro. Nosso destino era Petrópolis, encontro nacional da Harley Davidson Brasil em 2010. Na saída, como que para efetivar o batismo, um transporte ilegal de carga nos brinda com um congestionamento cansativo para o braço esquerdo. O tempo, em contra partida, ajuda. A chuva ameaça mas não cai, o que contribui bastante para o bem estar de motociclistas equipados como nós.
Passado o primeiro empecilho, encaramos 1h30 a uma velocidade média de 100km/h até a primeira parada no Roselanches, proximidades de Barbacena-MG. Parada para abastecer, encontrar outros aprceiros de estrada, ir ao banheiro, comer um pastel e principalmente esticar o lombo. As nádegas sofrem com a baixa circulação enquanto costas, braços e pernas reclamam da posição do corpo ou da manete do câmbio. Em viagens de moto recomenda-se uma parada a cada 1h ou 1h30. A justificativa é que as dores podem fazer com que você preste menos atenção aos percalços do caminho, com consequencias tão imagináveis quanto trágicas. Incrível o que uma paradinha estratégica e rápida é capaz de fazer, reinicializa seu sistema e te deixar apto para os próximos 100-150km.
A segunda parte da viagem, a mais bonita, foi tranquila. Pude desfrutar melhor da sensação de liberdade que só pilotar uma moto pode proporcionar. Contemplar a linda vista da serra carioca depois de Juiz de Fora-MG e torcer para a gasolina não acabar foram os dois últimos prazeres antes de chegar a Petrópolis-RJ. Primeira etapa completada, quase 400km sem contar a volta, era hora de bacalhau e vinho verde português para celebrar e planejar as próximas viagens.
Calça de motoboy contra a potencial chuva, botas com biqueira de aço e solado anti-derrapante recém adquiridas, neck para controlar o frio do vento na cara, jaqueta antiga mas virgem e uma oração como proteção. Era tudo que eu tinha naquela sexta pela manhã ao ligar os motores da minha moto. Jamais havia tomado uma estrada com previsão de pilotar por mais de meia hora pela frente. Aula teórica de pilotagem em grupo ministrada pelo sogro na noite anterior e pé, ou melhor, mão na estrada.
Saímos Pedro, eu e Bernardo, nessa ordem rasgando a BR 040 sentido Rio de Janeiro. Nosso destino era Petrópolis, encontro nacional da Harley Davidson Brasil em 2010. Na saída, como que para efetivar o batismo, um transporte ilegal de carga nos brinda com um congestionamento cansativo para o braço esquerdo. O tempo, em contra partida, ajuda. A chuva ameaça mas não cai, o que contribui bastante para o bem estar de motociclistas equipados como nós.
Passado o primeiro empecilho, encaramos 1h30 a uma velocidade média de 100km/h até a primeira parada no Roselanches, proximidades de Barbacena-MG. Parada para abastecer, encontrar outros aprceiros de estrada, ir ao banheiro, comer um pastel e principalmente esticar o lombo. As nádegas sofrem com a baixa circulação enquanto costas, braços e pernas reclamam da posição do corpo ou da manete do câmbio. Em viagens de moto recomenda-se uma parada a cada 1h ou 1h30. A justificativa é que as dores podem fazer com que você preste menos atenção aos percalços do caminho, com consequencias tão imagináveis quanto trágicas. Incrível o que uma paradinha estratégica e rápida é capaz de fazer, reinicializa seu sistema e te deixar apto para os próximos 100-150km.
A segunda parte da viagem, a mais bonita, foi tranquila. Pude desfrutar melhor da sensação de liberdade que só pilotar uma moto pode proporcionar. Contemplar a linda vista da serra carioca depois de Juiz de Fora-MG e torcer para a gasolina não acabar foram os dois últimos prazeres antes de chegar a Petrópolis-RJ. Primeira etapa completada, quase 400km sem contar a volta, era hora de bacalhau e vinho verde português para celebrar e planejar as próximas viagens.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Primeira impressão
Foi realmente uma cena similar a escolha do bixo voador em Avatar, conforme imaginei e escrevi no último post sobre minha nova companheira. Eu tive mais sorte que o cidadão da terra de Pandora, afinal pude ver, voltar, tomar coragem e então encarar. Ele, pobre coitado, teve que decidir ali na hora, sem mais delongas e com torcida contra.
É verdade que meu sábado foi um pouco corrido. Costumo ir na sexta-feira, mas as promoções do setor aéreo às vezes nos obrigam a essas coisas que nos fazem arrepender mesmo antes de voar. Cortar cabelo, social com a família e casamento eram as "obrigações". Eu podia ter encaixado minha primeira voltinha no quarteirão nessa apertada agenda, mas confesso que bateu aquele friozinho na barriga, um eufemismo para "não passa nem um átomo engraxado". A cerveja foi boa aliada, dirigir embriagado em tempos de lei seca dá até cadeia.
Do domingo não poderia passar, afinal só a veria novamente em duas semanas. Sem contar as desculpas que teria que dar a todos que me perguntassem qual foi a primeira impressão! Café da manhã tomado e sem efeitos da farra de Prosseco da noite anterior, devidamente portando capacete emprestado, chegou a hora. Passada a dificuldade inicial de acionar os motores, afinal existe um dispositivo de segurança que te impede da cagada inicial ao tentar ligar a moto sem que a mesma esteja no ponto morto, estava eu na saída da garagem. O cenário incluía uma caçamba e um monte de areia do outro lado da rua, frutos de alguma obra na vizinhança.
Na arrancada inicial rumei ao monte de areia. Não se faz uma curva tão facilmente pilotando algo de pouco mais de 250 quilos, é preciso certa técnica. É mais um jogo de corpo que uma simples guinada no guidão, e eu ainda não tenho tal destreza. Usei o freio em tempo, embora tenha deixado Belinha e eu preocupados com o que seguiria. Dificuldades e riscos realmente estão mais presentes em baixa velocidade, embora não ausentes nos demais. Passados apuros iniciais, tudo nos conformes. Três quilômetros rodados, paradas nas esquinas pra treinar a tal baixa velocidade, curvas roubando a pista da contramão, ufa!, ambos voltamos vivos à garagem.
Semana que vem tem mais, não tenho pressa. Antes de fazer parte de uma bela paisagem, muita prática por vir, muito a aprender. Ouvi certa vez sábia afirmação acerca dos tipos disponíveis de motociclistas no mercado: os que já caíram e os mentirosos. Com pouquíssimo tempo em duas rodas, graças a Deus ainda sou exceção.
É verdade que meu sábado foi um pouco corrido. Costumo ir na sexta-feira, mas as promoções do setor aéreo às vezes nos obrigam a essas coisas que nos fazem arrepender mesmo antes de voar. Cortar cabelo, social com a família e casamento eram as "obrigações". Eu podia ter encaixado minha primeira voltinha no quarteirão nessa apertada agenda, mas confesso que bateu aquele friozinho na barriga, um eufemismo para "não passa nem um átomo engraxado". A cerveja foi boa aliada, dirigir embriagado em tempos de lei seca dá até cadeia.
Do domingo não poderia passar, afinal só a veria novamente em duas semanas. Sem contar as desculpas que teria que dar a todos que me perguntassem qual foi a primeira impressão! Café da manhã tomado e sem efeitos da farra de Prosseco da noite anterior, devidamente portando capacete emprestado, chegou a hora. Passada a dificuldade inicial de acionar os motores, afinal existe um dispositivo de segurança que te impede da cagada inicial ao tentar ligar a moto sem que a mesma esteja no ponto morto, estava eu na saída da garagem. O cenário incluía uma caçamba e um monte de areia do outro lado da rua, frutos de alguma obra na vizinhança.
Na arrancada inicial rumei ao monte de areia. Não se faz uma curva tão facilmente pilotando algo de pouco mais de 250 quilos, é preciso certa técnica. É mais um jogo de corpo que uma simples guinada no guidão, e eu ainda não tenho tal destreza. Usei o freio em tempo, embora tenha deixado Belinha e eu preocupados com o que seguiria. Dificuldades e riscos realmente estão mais presentes em baixa velocidade, embora não ausentes nos demais. Passados apuros iniciais, tudo nos conformes. Três quilômetros rodados, paradas nas esquinas pra treinar a tal baixa velocidade, curvas roubando a pista da contramão, ufa!, ambos voltamos vivos à garagem.
Semana que vem tem mais, não tenho pressa. Antes de fazer parte de uma bela paisagem, muita prática por vir, muito a aprender. Ouvi certa vez sábia afirmação acerca dos tipos disponíveis de motociclistas no mercado: os que já caíram e os mentirosos. Com pouquíssimo tempo em duas rodas, graças a Deus ainda sou exceção.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
PHD Fatura
Essa história teve tímido início em Setembro de 2008. Não sei nem se arriscaria dizer que começou ali, acho que está mais para Abril de 2009, precisamente dia 21 de Abril de 2009 em Campos do Jordão-SP. Todas as motos que passaram pelo meu campo de visão nos 29 anos iniciais da minha vida, sem exceção, passaram desapercebidas. Ali, feriado de "Take Teeth" como diria meu cunhado, em plena Serra da Mantiqueira, essa história começava a tomar novo rumo.
Parafraseando belíssimo trabalho do meu irmão publicitário (Faça parte da paisagem), percebi ali que poderia fazer parte da paisagem, ao invés de apenas admirá-la. Naquele dia começava o encontro nacional da Harley Davidson no Brasil, mais de mil motos desfilando seus chassis e fazendo roncar seus motores para muitos admiradores fascinados.
Já tinha lido e percebido antes, já tinham até me explicado a filosofia, mas foi ali que tive clareza do significado de uma Harley na vida dos membros do HOG (Harley Owner's Group). Não se trata de "andar de moto", é muito mais que isso, a Harley é um estilo de vida. Hoje entendo perfeitamente quando minha chefe americana esteve a primeira vez aqui no Brasil e pediu que eu a levasse a uma loja da HD, ela tinha que comprar uma camiseta para o seu marido. Menos de 24 horas em Bahamas, a passagem na lojinha da HD é parada obrigatória para qualquer harleyro que se preze. Acordar cedo todo sábado e tomar um café da manhã com os parceiros de estrada antes de um passeio qualquer, não importando em que canto do mundo você esteja. Parece até mesmo uma droga, vicia mesmo, entra na veia.
O vírus demorou um pouco para tomar todo meu corpo. Nesse momento a Nota Fiscal eletrônica foi emitida, o seguro feito e ela já até já desfilou nas ruas, e eu ainda não a vi. Não faz diferença, ela já me conquistou por completo, já me vejo falando com os outros mais empolgado que de costume, comento como se tivesse profundo conhecimento. Conhecimento teórico talvez até tenha um pouco, me falta o prático, muito do prático. A partir de amanhã é como no Avatar na cena da escolha daquele bixo voador, preciso olhar pra ela e sentir, encarar sem medo de ser feliz. Estou ancioso, parece que vou dar um beijo pela primeira vez. Há de haver empatia, sintonia. Tenho as melhores intenções possíveis, espero o mesmo dela. Vamos conhecer lugares incríveis juntos, passar momentos especiais, compartilhar belas histórias, fazer parte de muitas paisagens.
Parafraseando belíssimo trabalho do meu irmão publicitário (Faça parte da paisagem), percebi ali que poderia fazer parte da paisagem, ao invés de apenas admirá-la. Naquele dia começava o encontro nacional da Harley Davidson no Brasil, mais de mil motos desfilando seus chassis e fazendo roncar seus motores para muitos admiradores fascinados.
Já tinha lido e percebido antes, já tinham até me explicado a filosofia, mas foi ali que tive clareza do significado de uma Harley na vida dos membros do HOG (Harley Owner's Group). Não se trata de "andar de moto", é muito mais que isso, a Harley é um estilo de vida. Hoje entendo perfeitamente quando minha chefe americana esteve a primeira vez aqui no Brasil e pediu que eu a levasse a uma loja da HD, ela tinha que comprar uma camiseta para o seu marido. Menos de 24 horas em Bahamas, a passagem na lojinha da HD é parada obrigatória para qualquer harleyro que se preze. Acordar cedo todo sábado e tomar um café da manhã com os parceiros de estrada antes de um passeio qualquer, não importando em que canto do mundo você esteja. Parece até mesmo uma droga, vicia mesmo, entra na veia.
O vírus demorou um pouco para tomar todo meu corpo. Nesse momento a Nota Fiscal eletrônica foi emitida, o seguro feito e ela já até já desfilou nas ruas, e eu ainda não a vi. Não faz diferença, ela já me conquistou por completo, já me vejo falando com os outros mais empolgado que de costume, comento como se tivesse profundo conhecimento. Conhecimento teórico talvez até tenha um pouco, me falta o prático, muito do prático. A partir de amanhã é como no Avatar na cena da escolha daquele bixo voador, preciso olhar pra ela e sentir, encarar sem medo de ser feliz. Estou ancioso, parece que vou dar um beijo pela primeira vez. Há de haver empatia, sintonia. Tenho as melhores intenções possíveis, espero o mesmo dela. Vamos conhecer lugares incríveis juntos, passar momentos especiais, compartilhar belas histórias, fazer parte de muitas paisagens.
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