Nem mesmo o mais sonhador torcedor tricolor poderia imaginar uma apoteose tão perfeita. Os deuses da bola reservaram o dia 27 de março de 2011, aproximadamente 17h10, 9 minutos do segundo tempo de jogo. Escolheram a dedo, com carinho para que o primeiro gol de falta de Rogério Ceni contra o arqui-rival Corinthians fosse o centésimo de sua carreira. A bola está parada, não na marca da cal como fizera um dia o milésimo o maior de todos, Pelé. Ela está onde ele mais gosta ou como mesmo definiu: "Como tudo começou". A tensão e a situação tirariam qualquer um do sério, mas não Rogério Ceni. Não é um sujeito que trabalha com a sorte. Não tem um dom, apenas dedicação ferrenha àquilo que se propôs a fazer da vida. Todos no campo e na telinha, exceto os alvi-negros corintianos, torcem e sonham para que a bola entre. Ele, o M1T0, se concentra. A maioria das vezes é, como desta vez, a única chance em 90 minutos para fazer o que os demais jogadores podem fazer a todo instante. Nesse caso, um lance para cravar seu nome mais uma vez na história do futebol mundial.
Rogério Ceni é a mais fiel tradução do significado da palavra Ídolo. Funcionário exemplar, não saem notícias de que faltou a um treino, reclamou de algum companheiro ou do clube que paga suas contas, de que foi visto bêbado ou em um baile funk. Jamais vestiu outra camisa senão a do clube do coração. Conquistou todos os títulos possíveis que um jogador de futebol pode almejar: Estadual, Brasileiro, Libertadores, Mundial sendo eleito melhor em campo, Copa do Mundo e maior Goleiro-Artilheiro da história, pra ficar nos mais importantes. Como se isso não bastasse, ele ainda pediu You Shook Me All Night Long (AC/DC) no Fantástico! (http://www.youtube.com/watch?v=NJv_JjzFGdE). Nada de pagode, axé, sertanejo ou música gospel, é Rock and Roll babe!
"Goleiro fazer 100 gols é mais difícil que atacante fazer 1000 gols" - Milton Neves. Embora não seja simpatizante de tal jornalista, talvez realmente seja verdade sua afirmação. Até agora Romário e Pelé fizeram 1000 gols, enquanto apenas Rogério Ceni conseguiu fazer 100 gols. Sem contar que Túlio Maravilha continua em ação, aceitando todo tipo de amistoso para chegar ao milésimo! Em tempo, antes que invejosos de plantão se manifestem, não estou aqui comparando coisas incomparáveis, apenas relatando fatos. Pelé foi o maior de todos independente do quesito que se avalie. Abençoados foram nossos pais e avós que o viram desfilar com a 10 do Santos e da Seleção Brasileira.
Respeitar e reverenciar ídolos é algo que não estamos muito acostumados a fazer. Achamos, com excessiva frequencia, que a "grama dos outros é sempre mais verde que a nossa". Americanos e europeus sem dúvida nenhuma o fazem infinatamente melhor que nós. Basta visitar o museu do Santiago Bernabéu ou do Camp Nou para entender a importância que os clubes dão a sua história. Benditos nós, brasileiros e não apenas tricolores, poder ver um expoente tão singular da história do esporte bretão em plena atividade. Está aí, no Morumbi ou na TV todas as semanas, a oportunidade de aprender a valorizar o que é nosso.
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mudanças de uma vida
Em números, friamente, é a quinta vez que muda de cidade, décima oitava de endereço completo com CEP. Em pouco mais de 30 anos de vida, as médias são, aproximadamente, 1 cidade a cada 6 anos e 1 casa/apartamento a cada 2 anos. Nômade parece o apelido mais apropriado, embora nunca tivesse sido efetivamente empregado. Apelidos, aliás, também merecem registro estatístico - somam 4 no total.
Nasceu em Foz do Iguaçu-PR, divisa com Ciudad del Este-Paraguai (na época Puerto Stroessner) e Puerto Iguazu-Argentina. Foz é uma cidade pequena, mas com inúmeros encantos. Paraíso do comércio internacional praticamente livre de impostos, santuário da Mãe-Natureza e grande produtora da energia que move o país são adjetivos que a engrandecem a ponto de ser definida, de certa forma, grande. Ali teve infância e adolescência intensamente vividas, personalidade definida e objetivos, embora não muito claros, traçados.
O vestibular se aproximava e uma solução drástica era necessária, mudar de cidade pela primeira vez. Uberaba-MG, triângulo mineiro, terra do gado zebu e do temido colégio Zé Ferreira. De segunda à sábado, sendo que duas vezes por semana em dois períodos, esse foi o ritmo de estudos durante todo o ano de 1996. Exercício físico apenas uma vez por semana, almoço com avós paternos outro dia e estudar muito, era basicamente a agenda de uma semana típica. Além da Expozebu, tradicional evento que agita a cidade anualmente em maio, não teve muito tempo para explorar o que o berço dos seus pais tinha a oferecer, já era tempo de seguir para a próxima escala.
Campinas-SP era, no início de 1997, para alguém vindo do interior do Paraná, a síntese da cidade grande: Oferecia de tudo, inclusive um punhado de medo aos que vinham do interior. Junto com a primeira semana, veio o primeiro assalto, bastante animador para alguém na casa dos 17 anos de idade. Campinas lembra em parte a capital do estado onde nasceu, sociedade fechada, elitizada, que não se considera do interior. Se a capital é São Paulo, teria ali um braço de mar? A cidade teve papel importante, decisivo em sua formação como pessoa e profissional. Ali construiu laços eternos de amizades verdadeiras. Ali também, no centro da cidade, encontrou os primeiros desafios da vida: pela primeira vez estava realmente sozinho, o primeiro emprego, a primeira perda (http://bit.ly/c5axLv), inúmeras decisões e muito crescimento.
Em cidade grande tudo acontece muito rápido e, quando menos esperava e nunca imaginara, Campinas ficara pequena. Haviam, então, apenas duas alternativas: Anhanguera ou Bandeirantes, ambas com um único destino, São Paulo-SP. A cidade em si já não assustava no quesito tamanho mas desafiava, incentivava a levar sua vida, principalmente profissional, a um outro nível. A capital paulistana fervilha como poucas outras no mundo e, me perdoem os fãs da Big Apple, é de fato e de direito a cidade que nunca dorme. Quando já não achava possível formar outra turma de amigos como outrora em Foz e Campinas, veio a grata surpresa de novas amizades para a vida toda
Viver longe da família de sangue o fez contabilizar, até aqui, três ou quatro outras famílias por pura escolha, afinidade. A certeza de não se sentir só em vários cantos do mundo é resultado de amizades bem aproveitadas, vidas compartilhadas e histórias pra contar (http://bit.ly/cD18Sd).
Mas a vida, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas. Quando as mudanças pareciam não ter mais um porquê, eis que o sentido é criado e novas mudanças pintam. Embora não exista mudança similar à anterior, essa última tem motivação muito distinta de todas as outras. Enquanto estudos e objetivos de cunho profissional nortearam as andanças até aqui, o coração resolveu tomar as rédeas da situação e, de certa forma, selar o destino. Belo Horizonte-MG é famosa por seus morros e bares, assim como pela hospitalidade e "jeitim" do povo mineiro. É a "roça grande" (palavras de uma nativa muito especial), tem praticamente de tudo que uma grande metrópole oferece com resquícios daquele ambiente agradável de cidade de interior. Pouco a descrever sobre a nova cidade que escolheu, uma vez que ainda faz uso intenso de GPS para ir e vir. Entretanto, a certeza que terá muito tempo para conhecer a terra que, em breve, será berço de sua família.
Nasceu em Foz do Iguaçu-PR, divisa com Ciudad del Este-Paraguai (na época Puerto Stroessner) e Puerto Iguazu-Argentina. Foz é uma cidade pequena, mas com inúmeros encantos. Paraíso do comércio internacional praticamente livre de impostos, santuário da Mãe-Natureza e grande produtora da energia que move o país são adjetivos que a engrandecem a ponto de ser definida, de certa forma, grande. Ali teve infância e adolescência intensamente vividas, personalidade definida e objetivos, embora não muito claros, traçados.
O vestibular se aproximava e uma solução drástica era necessária, mudar de cidade pela primeira vez. Uberaba-MG, triângulo mineiro, terra do gado zebu e do temido colégio Zé Ferreira. De segunda à sábado, sendo que duas vezes por semana em dois períodos, esse foi o ritmo de estudos durante todo o ano de 1996. Exercício físico apenas uma vez por semana, almoço com avós paternos outro dia e estudar muito, era basicamente a agenda de uma semana típica. Além da Expozebu, tradicional evento que agita a cidade anualmente em maio, não teve muito tempo para explorar o que o berço dos seus pais tinha a oferecer, já era tempo de seguir para a próxima escala.
Campinas-SP era, no início de 1997, para alguém vindo do interior do Paraná, a síntese da cidade grande: Oferecia de tudo, inclusive um punhado de medo aos que vinham do interior. Junto com a primeira semana, veio o primeiro assalto, bastante animador para alguém na casa dos 17 anos de idade. Campinas lembra em parte a capital do estado onde nasceu, sociedade fechada, elitizada, que não se considera do interior. Se a capital é São Paulo, teria ali um braço de mar? A cidade teve papel importante, decisivo em sua formação como pessoa e profissional. Ali construiu laços eternos de amizades verdadeiras. Ali também, no centro da cidade, encontrou os primeiros desafios da vida: pela primeira vez estava realmente sozinho, o primeiro emprego, a primeira perda (http://bit.ly/c5axLv), inúmeras decisões e muito crescimento.
Em cidade grande tudo acontece muito rápido e, quando menos esperava e nunca imaginara, Campinas ficara pequena. Haviam, então, apenas duas alternativas: Anhanguera ou Bandeirantes, ambas com um único destino, São Paulo-SP. A cidade em si já não assustava no quesito tamanho mas desafiava, incentivava a levar sua vida, principalmente profissional, a um outro nível. A capital paulistana fervilha como poucas outras no mundo e, me perdoem os fãs da Big Apple, é de fato e de direito a cidade que nunca dorme. Quando já não achava possível formar outra turma de amigos como outrora em Foz e Campinas, veio a grata surpresa de novas amizades para a vida toda
Viver longe da família de sangue o fez contabilizar, até aqui, três ou quatro outras famílias por pura escolha, afinidade. A certeza de não se sentir só em vários cantos do mundo é resultado de amizades bem aproveitadas, vidas compartilhadas e histórias pra contar (http://bit.ly/cD18Sd).
Mas a vida, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas. Quando as mudanças pareciam não ter mais um porquê, eis que o sentido é criado e novas mudanças pintam. Embora não exista mudança similar à anterior, essa última tem motivação muito distinta de todas as outras. Enquanto estudos e objetivos de cunho profissional nortearam as andanças até aqui, o coração resolveu tomar as rédeas da situação e, de certa forma, selar o destino. Belo Horizonte-MG é famosa por seus morros e bares, assim como pela hospitalidade e "jeitim" do povo mineiro. É a "roça grande" (palavras de uma nativa muito especial), tem praticamente de tudo que uma grande metrópole oferece com resquícios daquele ambiente agradável de cidade de interior. Pouco a descrever sobre a nova cidade que escolheu, uma vez que ainda faz uso intenso de GPS para ir e vir. Entretanto, a certeza que terá muito tempo para conhecer a terra que, em breve, será berço de sua família.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Uberaba-MG
ir a Uberaba é:
- doce de leite Centenário no congelador
- visitar o mercado municipal, ao lado de onde costumava morar com meus queridos avós
- lembrar dos tempos difíceis de Zé Ferreira, a primeira integral com o prof. Mariano
- trazer um bocado de requeijão queimado, queijo meia cura e pé de muleque
- lembrar das intermináveis viagens de carro, saindo na madrugada de Foz
- Natal na casa da vovó Hilda
- beringela da casa da vovó Zezé
- estudos durante a tarde toda no quartinho lá de cima
- ir à fazenda com vovô Nelo e andar a cavalo até dizer chega
- ir à casa do tio Alberto ou do tio André
- ir às primeiras baladas com o tio Adelmo
- comprar qualquer coisa no Mil Réis
- jogar buraco, vó arrumando óculos com mãos calejadas, vô roubando nas cartas com scotch na mão
- amigo oculto ao invés de secreto
- vitamina com suco de laranja e paçoca do japonês
- usar botina Zebu
- brincar de gato mia com os primos
- esperar ansioso pelo Papai Noel e, depois, tentar adivinhar quem era
- jogar botão com a seleção da Itália
- pedir ao tio Adelmo pra jogar video game, River Raid, Top Gear
- shopping Urbano Salomão, Generoso Lenza e rua Tristão de Castro
- pão quentinho na padaria do vovô Ítalo, esperar o pão italiano do tio Itinho
- encontrar padrinho e madrinha, receber os presentes
- jogar Perfil ou War, na mesa redonda da sala
- produtos da D. Izaltina
- aguardar as frequentes visitas da tia Nice, tia-avó
- tiros de espingardinha de chumbinho
- Tiro de Guerra, whisky para Coronel e outras patentes
- München
- 1o de maio, Expozebu
- bolo de laranja da vó, pão de queijo da tia Glória
acima de tudo, celebrar a vida em família ao menos uma vez por ano, nos últimos 30 anos.
- doce de leite Centenário no congelador
- visitar o mercado municipal, ao lado de onde costumava morar com meus queridos avós
- lembrar dos tempos difíceis de Zé Ferreira, a primeira integral com o prof. Mariano
- trazer um bocado de requeijão queimado, queijo meia cura e pé de muleque
- lembrar das intermináveis viagens de carro, saindo na madrugada de Foz
- Natal na casa da vovó Hilda
- beringela da casa da vovó Zezé
- estudos durante a tarde toda no quartinho lá de cima
- ir à fazenda com vovô Nelo e andar a cavalo até dizer chega
- ir à casa do tio Alberto ou do tio André
- ir às primeiras baladas com o tio Adelmo
- comprar qualquer coisa no Mil Réis
- jogar buraco, vó arrumando óculos com mãos calejadas, vô roubando nas cartas com scotch na mão
- amigo oculto ao invés de secreto
- vitamina com suco de laranja e paçoca do japonês
- usar botina Zebu
- brincar de gato mia com os primos
- esperar ansioso pelo Papai Noel e, depois, tentar adivinhar quem era
- jogar botão com a seleção da Itália
- pedir ao tio Adelmo pra jogar video game, River Raid, Top Gear
- shopping Urbano Salomão, Generoso Lenza e rua Tristão de Castro
- pão quentinho na padaria do vovô Ítalo, esperar o pão italiano do tio Itinho
- encontrar padrinho e madrinha, receber os presentes
- jogar Perfil ou War, na mesa redonda da sala
- produtos da D. Izaltina
- aguardar as frequentes visitas da tia Nice, tia-avó
- tiros de espingardinha de chumbinho
- Tiro de Guerra, whisky para Coronel e outras patentes
- München
- 1o de maio, Expozebu
- bolo de laranja da vó, pão de queijo da tia Glória
acima de tudo, celebrar a vida em família ao menos uma vez por ano, nos últimos 30 anos.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Um clássico que esquenta e alimenta
Ontem decidi fazer algo que já gostaria de ter feito a um tempo, encarar a famosa sopa de cebola do Ceasa em São Paulo. Ouvi tanto da sopa que tinha certo medo dela, talvez desenvolvesse um vício compulsivo, não conseguisse viver mais sem ela, sei lá. Além do forte frio que atingiu a capital paulistana essa semana, a proximidade de casa também ajudou a sair direto do trabalho e fazer uma escala antes de por as meias de lã e mergulhar no edredon.
Experimentei uma sopa de cebola pela primeira vez num bistrô francês, como imagino que boa parte das pessoas que já provaram uma tenham feito. Le Cordon Bleu, um clássico parisiense. Sempre cara e deliciosa, sempre uma porção muito pequena. Os bistrôs mais elegantes de São Paulo estão localizados nos Jardins, no Itaim ou em algum outro bairro da zona sul. A mais famosa, no entanto, está um pouco mais a oeste da cidade, aqui do meu lado, na Vila Leopoldina. Antigo bairro industrial, a Vila vêm sofrendo profundas transformações nos últimos anos, passando a ser grande atrativo para viver em um bairro com cara de interior, recheado de serviços e comércio de todo tipo.
O entreposto Ceagesp é o local onde a famosa sopa é servida desde a década de 70. Pelo pouco que li, era o pós-balada da época. Talvez papel similar ao que hamburguerias e temakerias desempenham atualmente. A origem deve mesmo ter sido juntar restos de ingredientes calóricos ali comercializados para cozinhar algo que esquentasse as frias noites dos que ali trabalhavam. Um dos maiores "boca-a-boca" já registrados na história paulistana fez o resto, espalhou a fama que a sopa ostenta hoje.
Vale muito a pena! O local é simples e nem podia ser diferente, você está no maior entreposto de verduras, legumes e frutas do país, quiçá da América Latina. O atendimento é diferenciado, suspeito que o treinamento dos garçons inclua a matéria "história" daquilo tudo ai. São muito educados e atendem muito bem, deixam você à vontade como muitos que trabalham em restaurantes que cobram três dígitos o prato não conseguem. Você pode tomar um vinho chileno enquanto degusta a sopa, até mesmo uma taça se estiver sozinho. Pode chegar meia-noite de terça a quinta, às 2 ou 3 da manhã sexta e sábado que vai ter uma quentinha te esperando. Não gosta de cebola? Peça uma de mandioca ou de legumes. Aceitam todos os cartões, exceto Amex. E o preço? R$ 15,00 em uma cumbuca 4 ou 5 vezes maior que aquela com a qual você está acostumado nos bistrôs. Infelizmente não tenho fotos do local, da sopa, do ambiente. Meu iPhone me deixou na mão depois de mergulhar no Caribe, estive lá ontem com um Startak de backup. Como voltarei outras vezes fiquem tranquilos, atualizarei o post com imagens. No caso de uma iguaria como essa, elas podem falar mais ao seu estômago que minhas palavras.
Experimentei uma sopa de cebola pela primeira vez num bistrô francês, como imagino que boa parte das pessoas que já provaram uma tenham feito. Le Cordon Bleu, um clássico parisiense. Sempre cara e deliciosa, sempre uma porção muito pequena. Os bistrôs mais elegantes de São Paulo estão localizados nos Jardins, no Itaim ou em algum outro bairro da zona sul. A mais famosa, no entanto, está um pouco mais a oeste da cidade, aqui do meu lado, na Vila Leopoldina. Antigo bairro industrial, a Vila vêm sofrendo profundas transformações nos últimos anos, passando a ser grande atrativo para viver em um bairro com cara de interior, recheado de serviços e comércio de todo tipo.
O entreposto Ceagesp é o local onde a famosa sopa é servida desde a década de 70. Pelo pouco que li, era o pós-balada da época. Talvez papel similar ao que hamburguerias e temakerias desempenham atualmente. A origem deve mesmo ter sido juntar restos de ingredientes calóricos ali comercializados para cozinhar algo que esquentasse as frias noites dos que ali trabalhavam. Um dos maiores "boca-a-boca" já registrados na história paulistana fez o resto, espalhou a fama que a sopa ostenta hoje.
Vale muito a pena! O local é simples e nem podia ser diferente, você está no maior entreposto de verduras, legumes e frutas do país, quiçá da América Latina. O atendimento é diferenciado, suspeito que o treinamento dos garçons inclua a matéria "história" daquilo tudo ai. São muito educados e atendem muito bem, deixam você à vontade como muitos que trabalham em restaurantes que cobram três dígitos o prato não conseguem. Você pode tomar um vinho chileno enquanto degusta a sopa, até mesmo uma taça se estiver sozinho. Pode chegar meia-noite de terça a quinta, às 2 ou 3 da manhã sexta e sábado que vai ter uma quentinha te esperando. Não gosta de cebola? Peça uma de mandioca ou de legumes. Aceitam todos os cartões, exceto Amex. E o preço? R$ 15,00 em uma cumbuca 4 ou 5 vezes maior que aquela com a qual você está acostumado nos bistrôs. Infelizmente não tenho fotos do local, da sopa, do ambiente. Meu iPhone me deixou na mão depois de mergulhar no Caribe, estive lá ontem com um Startak de backup. Como voltarei outras vezes fiquem tranquilos, atualizarei o post com imagens. No caso de uma iguaria como essa, elas podem falar mais ao seu estômago que minhas palavras.
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