Já doei muita roupa, eletrodomésticos, móveis, comida e até dinheiro aos mais necessitados, mas a pouco tempo comecei a doar algo muito mais valioso, meu tempo. Pouco mais de um ano atrás visitamos, eu e meu irmão Flavio, a cidade mais pobre do Brasil que não está no nordeste, São João das Missões-MG - escreverei sobre essa experiência em outro post em breve. Tínhamos o objetivo principal de entender uma realidade que desconhecíamos basicamente para criar um negócio social, mas acho que aprendemos muito mais que isso.
Ontem iniciei minha jornada em um projeto social a 10km da minha casa, dando aulas básicas de informática, com objetivo de inclusão digital da comunidade. O Alumia é um centro de entretenimento, cultura e lazer idealizado pela Virgínia, mãe de uma coleguinha da Joana no Jardim de Infância. Virgínia é daquelas "fora da curva", largou o mundo das agências de publicidade para criar esse lindo projeto do nada. Não se trata de uma comunidade pobre como a que visitamos em Missões, não falta comida e moradia, mas são muito restritas as oportunidades que as pessoas têm, para não dizer quase nenhuma.
Na turma mais básica, a maioria são empregadas domésticas por falta de opção, ou simplesmente para fugir de alternativas mais custosas como por exemplo a prostituição. Querem aprender informática para tentar algo melhor na vida, obviamente - sinto que têm um sonho que parece muito distante. É uma mudança difícil, não há apoio governamental ou empresas do setor privado olhando essa situação com o devido carinho. Meu coração inflou mesmo foi quando elas falaram dos filhos, que querem aprender o básico para motivar os filhos a buscar algo diferente na vida.
Na outra turma, dos jovens (ainda não os filhos das domésticas, mas uma projeção futura deles), pude ter mais noção da responsabilidade que tenho, e do impacto que posso fomentar. Meninos e meninas de 13 a 17 anos que simplesmente não querem seguir os passos dos pais, querem estudar, se capacitar e buscar um lugar melhor ao sol. Certamente não vou me ater apenas as aulas, já comecei a acionar uma rede de contatos, inclusive muitos que doaram os computadores para que esse curso fosse possível, para ajudar em uma transformação mais completa, de ponta a ponta.
Tenho a sensação que se conseguir transmitir e eles conseguirem absorver 10% do que tenho planejado, ajudarei na transformação dessa comunidade. É desafiador, mas acho que vai valer a pena.
Islaine, William, Vinícius, Moacir Felipe, Gleiciane, Rosa e Alice, quero muito ajudar vocês, contem comigo!
Fernando "Fatura" Pucci
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sexta-feira, 26 de outubro de 2018
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Saudade dos meus irmãos
Saudade de ir buscar a TV pra mamãe quando o "Favinho" nasceu, é a primeiro lembrança clara que eu tenho de ter um irmão,
Saudade de pular o muro, "panhar uma goiaba" e ir pro clube,
Saudade da Eni nos protegendo,
Saudade do Anglo, da Vila, do Solimões e da Cidade,
Saudade de jogar bola no quintal de casa,
Saudade das Olimpíadas, da Colônia de Férias, dos Carnavais no Ipê
Saudade das turmas de todos do colégio,
Saudade de andar de skate, construir campo de baseball, brincar de esconde-esconde, montar bombas caseiras e capturar cigarras,
Saudade dos aniversários temáticos com infinitas crianças em casa pra lá e pra cá,
Saudade até das brigas, quando ainda tinham que se juntar para brigar com o irmão mais velho,
Saudade de ensinar o Tchelo a dirigir,
Saudade das cartas que recebia do Tchelo quando saí de casa,
Saudade da cumplicidade com o Flavio nos momentos difíceis em Sampa,
Enfim, saudade de vocês, meus queridos irmãos. E obrigado a vocês, nossos pais, por ter proporcionado e continuar fazendo questão da nossa proximidade mesmo com a distância que a vida moderna nos impõe.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Extremamente frágil, paradoxalmente forte
Observar a fragilidade do ser humano é um processo trivial. Como bem relata Alain de Botton em "A arte de viajar", basta se colocar em uma situação onde o sublime seja observado. "Em comparação com os três, o homem parece mero pó postergado: o sublime como um encontro prazerozo, até mesmo inebriante, com a fraqueza humana diante da força, da idade e das dimensões do universo." Uma vasta paisagem, uma imensidão de montanhas rochosas, o pôr do sol ou o céu estrelado, e perceberá o quanto você, ser humano, é pequeno, para não mencionar imperceptível.
A fragilidade aparece em muitos aspectos de uma vida, pode aflorar de forma distinta em diferentes pessoas, ou até mesmo diferente em distintos momentos para um mesmo ser humano. Uns desabam quando perdem o emprego, outros se desesperam quando ficam de recuperação na escola, enquanto alguns entram em pânico pela simples derrota do time do coração na rodada do final de semana. O "frágil" que traz sustentação ao texto é muito mais profundo que o retratado nos exemplos do parágrafo.
O sentimento da perda de um ente querido, por exemplo. Ou mesmo a remota possibilidade de que ela ocorra, leva a um estado de impotência, incapacidade, da mais real e assustadora fragilidade humana. Não há bem material capaz de trazer tamanha carga emocional que a probabilidade de não poder mais ver, tocar ou ouvir. Não é natural tal passagem para os meros mortais. Instantaneamente vem a negação, o "Por que comigo?". Não muito depois vem o "Devia ter aproveitado mais...". O telefone toca e imediatamente o coração chega próximo à boca. Ateus passam a crer em Deus, os mais céticos se apegam a uma fé que nunca imagiram ter. Famílias se unem como nunca e a união literalmente faz a força, corroborando o antigo jargão.
Por mais contraditório que possa parecer, deve ser essa escancarada fragilidade que traz força ao ser humano. Uma força interior, poderosa, que motiva a encarar de frente problemas aparentemente insolúveis. Basta assistir a série Sobrevivi ou os filmes 127 horas e Vivos para entender que força é essa. Ingerir a própria urina e comer carne humana parecem atos comuns quando o instinto de sobrevivência está em jogo. No momento que não há mais saída, que todas as soluções possíveis foram testadas, o homem é levado a um patamar de superação que transcende o senso comum, contraria todas as regras da Física e da Medicina. Ao que tudo indica essa vontade de viver não é uma dádiva concebida a poucos, estranho seria se assim fosse. Interessante, então, seria poder usar e abusar de tal virtude. No trabalho, nos relacionamentos familiares, amistosos e amorosos, em suma, para viver. Não apenas quando a vida dá sinais que está indo embora.
A fragilidade aparece em muitos aspectos de uma vida, pode aflorar de forma distinta em diferentes pessoas, ou até mesmo diferente em distintos momentos para um mesmo ser humano. Uns desabam quando perdem o emprego, outros se desesperam quando ficam de recuperação na escola, enquanto alguns entram em pânico pela simples derrota do time do coração na rodada do final de semana. O "frágil" que traz sustentação ao texto é muito mais profundo que o retratado nos exemplos do parágrafo.
O sentimento da perda de um ente querido, por exemplo. Ou mesmo a remota possibilidade de que ela ocorra, leva a um estado de impotência, incapacidade, da mais real e assustadora fragilidade humana. Não há bem material capaz de trazer tamanha carga emocional que a probabilidade de não poder mais ver, tocar ou ouvir. Não é natural tal passagem para os meros mortais. Instantaneamente vem a negação, o "Por que comigo?". Não muito depois vem o "Devia ter aproveitado mais...". O telefone toca e imediatamente o coração chega próximo à boca. Ateus passam a crer em Deus, os mais céticos se apegam a uma fé que nunca imagiram ter. Famílias se unem como nunca e a união literalmente faz a força, corroborando o antigo jargão.
Por mais contraditório que possa parecer, deve ser essa escancarada fragilidade que traz força ao ser humano. Uma força interior, poderosa, que motiva a encarar de frente problemas aparentemente insolúveis. Basta assistir a série Sobrevivi ou os filmes 127 horas e Vivos para entender que força é essa. Ingerir a própria urina e comer carne humana parecem atos comuns quando o instinto de sobrevivência está em jogo. No momento que não há mais saída, que todas as soluções possíveis foram testadas, o homem é levado a um patamar de superação que transcende o senso comum, contraria todas as regras da Física e da Medicina. Ao que tudo indica essa vontade de viver não é uma dádiva concebida a poucos, estranho seria se assim fosse. Interessante, então, seria poder usar e abusar de tal virtude. No trabalho, nos relacionamentos familiares, amistosos e amorosos, em suma, para viver. Não apenas quando a vida dá sinais que está indo embora.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Més que un club
Meu interesse em acompanhar jogos de futebol é inversamente proporcional à minha idade. Os motivos, simples e diretos, são: Baixíssimo nível técnico e desinteresse por parte daqueles que recebem milhões de euros/dólares/reais por ano para vestir a camisa do seu time de coração. Já não acompanho como antes meu querido tricolor por tais motivos, embora ainda tenha um Rogério Ceni para me brindar conforme já relatado aqui em outros posts.
Nas últimas semanas, para agravar minha situação, acompanhei três jogos do Barcelona na Liga dos Campeões 2011. Se, por um lado reencontrei o conceito que modestamente tenho sobre o que significa o futebol, por outro aumentei meu desânimo por acompanhar o futebol brasileiro. Sempre tive como referência de performance o São Paulo de 91 e o Palmeiras de 93, times que passavam pelos adversários sem tomar conhecimento e, por vezes, sem o menor respeito. O Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi e cia está acima de tudo que já vi ou reverenciei, inclusive o tricolor do Telê e o Palmeiras do Luxemburgo. A raça e liderança de Puyol, a truculência de Mascherano, a eficiência de Xavi, Daniel Alves e Iniesta, o faro de gol do jovem Pedro e o talento ímpar do argentino Messi seguramente encantam até mesmo o mais fanático torcedor do Real Madrid.
O Barcelona usa como filosofia o ponto central dos trabalhos de um velho conhecido nosso, Carlos Alberto Parreira: a posse de bola. Não existe pressa, não existe desespero, não importa o placar, não importa se o jogo é em casa ou fora, não importa o adversário, enfim, nenhuma variável importa quando Guardiola define sua estratégia de jogo. Manutenção da posse de bola o maior tempo possível. Toquem a bola pacientemente até o ataque. Não tem espaço? Recuem, comecem de novo. Devem ser essas as palavras de ordem no treino, em bom espanhol ou catalão.
José Mourinho, tido por muitos como o melhor do mundo na função, sucumbiu aos encantos do adversário. Como aquele menino franzino que foge da primeira briga na escola, se amedrontou diante da superioridade azul-grená. Foi covarde em pleno Santiago Bernabéu. No jogo de volta em Barcelona, quando o destino já estava selado, fingiu não temê-los. O fortíssimo Manchester United, jogando em "casa", deu ares de que poderia tirar os nervos catalães do sério. Impressão que caiu por terra em meros 8 minutos de partida. Já se vão mais de 3 anos que sequer um time consegue marca superior à do Barça no quesito posse de bola durante toda uma partida.
O segredo de todo esse sucesso é simples a olho nú, mas demanda planejamento, investimento e paciência. A grande maioria dos jogadores saem das "canteras", as divisões de base do clube. Ali os garotos são blindados de empresários ganaciosos, para que possam apenas treinar e absorver a cultura do Barça. A maioria dos garotos é de origem espanhola, o que também ajuda a explicar o sucesso da seleção local na última Copa. O técnico também é prata da casa, conhece os caminhos dos centros de treinamento e do Camp Nou.
Como se todos adjetivos empregados até aqui não fossem suficientes, eis a apoteose da final em Wembley, Londres. Carles Puyol, capitão da equipe, é deixado no banco de reservas no jogo mais importante do ano. Reclamações? Irritação? Cara amarrada? Não para um líder do calibre dele. Torcedor empolgado que mesmo do banco transmitia sua emoção e liderança aos companheiros. Aos quarenta e tantos minutos Pep Guardiola, em uma daquelas atitudes que só os grandes de espírito têm, chama seu capitão para entrar em campo, colocar a braçadeira e levantar o troféu mais importante da Europa. Puyol entra em campo, coloca a braçadeira, joga menos de cinco minutos e já parte para o abraço coletivo de comemoração de mais um título. Em um gesto nobre, saca a faixa de capitão e gentilmente a cede ao francês Abidal, que poucos meses antes descobrira um câncer no fígado e retornara aos gramados dias atrás, depois de quase abandonar o esporte. Um exemplo de liderança que só ouvimos falar ou estudamos na escola. Um ato de grandeza adequado para coroar a história de um dos melhores times de futebol de todos os tempos.
Nas últimas semanas, para agravar minha situação, acompanhei três jogos do Barcelona na Liga dos Campeões 2011. Se, por um lado reencontrei o conceito que modestamente tenho sobre o que significa o futebol, por outro aumentei meu desânimo por acompanhar o futebol brasileiro. Sempre tive como referência de performance o São Paulo de 91 e o Palmeiras de 93, times que passavam pelos adversários sem tomar conhecimento e, por vezes, sem o menor respeito. O Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi e cia está acima de tudo que já vi ou reverenciei, inclusive o tricolor do Telê e o Palmeiras do Luxemburgo. A raça e liderança de Puyol, a truculência de Mascherano, a eficiência de Xavi, Daniel Alves e Iniesta, o faro de gol do jovem Pedro e o talento ímpar do argentino Messi seguramente encantam até mesmo o mais fanático torcedor do Real Madrid.
O Barcelona usa como filosofia o ponto central dos trabalhos de um velho conhecido nosso, Carlos Alberto Parreira: a posse de bola. Não existe pressa, não existe desespero, não importa o placar, não importa se o jogo é em casa ou fora, não importa o adversário, enfim, nenhuma variável importa quando Guardiola define sua estratégia de jogo. Manutenção da posse de bola o maior tempo possível. Toquem a bola pacientemente até o ataque. Não tem espaço? Recuem, comecem de novo. Devem ser essas as palavras de ordem no treino, em bom espanhol ou catalão.
José Mourinho, tido por muitos como o melhor do mundo na função, sucumbiu aos encantos do adversário. Como aquele menino franzino que foge da primeira briga na escola, se amedrontou diante da superioridade azul-grená. Foi covarde em pleno Santiago Bernabéu. No jogo de volta em Barcelona, quando o destino já estava selado, fingiu não temê-los. O fortíssimo Manchester United, jogando em "casa", deu ares de que poderia tirar os nervos catalães do sério. Impressão que caiu por terra em meros 8 minutos de partida. Já se vão mais de 3 anos que sequer um time consegue marca superior à do Barça no quesito posse de bola durante toda uma partida.
O segredo de todo esse sucesso é simples a olho nú, mas demanda planejamento, investimento e paciência. A grande maioria dos jogadores saem das "canteras", as divisões de base do clube. Ali os garotos são blindados de empresários ganaciosos, para que possam apenas treinar e absorver a cultura do Barça. A maioria dos garotos é de origem espanhola, o que também ajuda a explicar o sucesso da seleção local na última Copa. O técnico também é prata da casa, conhece os caminhos dos centros de treinamento e do Camp Nou.
Como se todos adjetivos empregados até aqui não fossem suficientes, eis a apoteose da final em Wembley, Londres. Carles Puyol, capitão da equipe, é deixado no banco de reservas no jogo mais importante do ano. Reclamações? Irritação? Cara amarrada? Não para um líder do calibre dele. Torcedor empolgado que mesmo do banco transmitia sua emoção e liderança aos companheiros. Aos quarenta e tantos minutos Pep Guardiola, em uma daquelas atitudes que só os grandes de espírito têm, chama seu capitão para entrar em campo, colocar a braçadeira e levantar o troféu mais importante da Europa. Puyol entra em campo, coloca a braçadeira, joga menos de cinco minutos e já parte para o abraço coletivo de comemoração de mais um título. Em um gesto nobre, saca a faixa de capitão e gentilmente a cede ao francês Abidal, que poucos meses antes descobrira um câncer no fígado e retornara aos gramados dias atrás, depois de quase abandonar o esporte. Um exemplo de liderança que só ouvimos falar ou estudamos na escola. Um ato de grandeza adequado para coroar a história de um dos melhores times de futebol de todos os tempos.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Riding on Powerful Music
Decidi escrever esse texto semana passada, precisamente dia 30/09/2010 às 19h00, no meio de uma aula de RPM na academia. O porquê pensei nisso ali, naquele momento de fadiga extrema, ainda não sei, mas imagino que tenha sido apenas mais um artifício para suportar a "pressão" e terminar o treino vivo. De forma breve, sucinta e desprovida de conhecimento técnico, RPM é um treino desenvolvido em cima de uma bicicleta fixa, com objetivo de melhorar a capacidade aeróbica. Maiores detalhes com quem criou a modalidade - Body Systems RPM.
O treino de RPM começa de fato quando você toma a decisão que vai encará-lo. Você não pode, por exemplo, malhar perna antes de subir na bike. Você sabe que não vai ser brincadeira, que será exigido ao máximo. Bate aquela lembrança da semana passada, você hesita, pensa dezenas de vezes. Por outro lado, lembra da empolgação da galera, da "vibe" da sala e da competência do professor, bingo, são 18h30 e você já está regulando a bike.
Não sei ao certo quantas músicas são, essa parte do meu cérebro fica inoperante tamanho esforço físico. Resumidamente é aquecimento, parte principal e alongamento. O aquecimento é composto de apenas 1 música, a parte principal tem 5 ou 6, enquanto o alongamento tem 1, ufa! Dessas 5 ou 6 da parte principal do treino, é impossível esquecer das 3 que o professor carinhosamente chama de "parte forte" do seu treino. É "pesado sentado", "aumenta a carga e sobe", "mantém e acelera" que não acabam mais, é hora de ver estrelas e sonhar com a sauna às 19h30. Depois da primeira parte forte do seu treino, não há muito que descansar, exige-se exercício moderado. No idioma do RPM, moderado não é o que parece, representa uma percepção de esforço em torno de 70%. Respire fundo, tome um gole de água, acerte a posição do seu corpo, relaxe os ombros e prepare-se para a segunda parte forte do seu treino.
Durante o aquecimento, não passa muita coisa pela cabeça a não ser "Tá tranquilo, vou dar conta". Quando a fase do "unilateral", "aperta e puxa", "quer aula vai lá pra fora, isso aqui é treino", muitas coisas passam pela cabeça daquele que pedala. Posso garantir que a 1a é: "O que que eu estou fazendo aqui?". A impressão de que você não chegará ao fim é evidente e, a essa altura do campeonato, os exercícios são executados a uma percepção de esforço muito próxima de 100%. Nesse exato instante, a postura do professor e sua capacidade de concentração são fatores primoridias para tirar o algo mais e chegar até a música de alongamento com a sensação de dever cumprido.
No quesito professor posso afirmar que sou sortudo, tenho a disposição o segundo melhor do mercado. Um parêntesis para falar do número 1, Tchelo, meu irmão. Os que não o conhecem podem imaginar que estou puxando a sardinha pro lado da família, raciocínio mais que natural. Os que o conhecem profissionalmente, sabem do que estou escrevendo. Para resumir e não fugir do tema principal do post, transcrevo aqui o que falei a um colega de trabalho semana passada no café: "Até hoje não conheci uma única pessoa que seja tão feliz no trabalho quanto meu irmão". Esse fato, por si só, traduz o benefício que os alunos podem extrair de seus treinos. Não conheço o Fábio como conheço o Tchelo, mas arrisco a dizer que também é um cara feliz com seu trabalho. Um profissional dedicado e focado em fazer com que você treine pra valer, além de fazer questão que os alunos entendam o que estão fazendo, qual músculo está sendo trabalhado, quais os objetivos de cada exercício. Acredite, isso faz toda a diferença, ajuda você a se motivar pra subir montanhas sem sair do lugar.
A concentração, como em qualquer outro esporte, também é essencial nas pedaladas. Você deve mentalizar o treino, concentrar em cada movimento e ter a certeza que os está executando de forma adequada. Essa, que parece a mais fácil, é a parte mais difícil. Está na natureza humana pensar em desistir quando a dor e o cansaço chegam de forma tão intensa. Olhe pro lado, veja que a galera está fervendo, sinta o poderoso som da música que toca, olhe pro professor pedalando pela 3a ou 4a vez no dia com o mesmo empenho, ou simplesmente sonhe com a sauna logo mais.
Disfrute o pós treino, a boa e leve sensação de dever cumprido. Um vitamina, um temaki ou até mesmo um hambúrguer, afinal você merece. Use essa lembrança final na próxima terça ou quinta, você vai precisar dela pra ajustar a bike às 18h30 e começar tudo de novo.
O treino de RPM começa de fato quando você toma a decisão que vai encará-lo. Você não pode, por exemplo, malhar perna antes de subir na bike. Você sabe que não vai ser brincadeira, que será exigido ao máximo. Bate aquela lembrança da semana passada, você hesita, pensa dezenas de vezes. Por outro lado, lembra da empolgação da galera, da "vibe" da sala e da competência do professor, bingo, são 18h30 e você já está regulando a bike.
Não sei ao certo quantas músicas são, essa parte do meu cérebro fica inoperante tamanho esforço físico. Resumidamente é aquecimento, parte principal e alongamento. O aquecimento é composto de apenas 1 música, a parte principal tem 5 ou 6, enquanto o alongamento tem 1, ufa! Dessas 5 ou 6 da parte principal do treino, é impossível esquecer das 3 que o professor carinhosamente chama de "parte forte" do seu treino. É "pesado sentado", "aumenta a carga e sobe", "mantém e acelera" que não acabam mais, é hora de ver estrelas e sonhar com a sauna às 19h30. Depois da primeira parte forte do seu treino, não há muito que descansar, exige-se exercício moderado. No idioma do RPM, moderado não é o que parece, representa uma percepção de esforço em torno de 70%. Respire fundo, tome um gole de água, acerte a posição do seu corpo, relaxe os ombros e prepare-se para a segunda parte forte do seu treino.
Durante o aquecimento, não passa muita coisa pela cabeça a não ser "Tá tranquilo, vou dar conta". Quando a fase do "unilateral", "aperta e puxa", "quer aula vai lá pra fora, isso aqui é treino", muitas coisas passam pela cabeça daquele que pedala. Posso garantir que a 1a é: "O que que eu estou fazendo aqui?". A impressão de que você não chegará ao fim é evidente e, a essa altura do campeonato, os exercícios são executados a uma percepção de esforço muito próxima de 100%. Nesse exato instante, a postura do professor e sua capacidade de concentração são fatores primoridias para tirar o algo mais e chegar até a música de alongamento com a sensação de dever cumprido.
No quesito professor posso afirmar que sou sortudo, tenho a disposição o segundo melhor do mercado. Um parêntesis para falar do número 1, Tchelo, meu irmão. Os que não o conhecem podem imaginar que estou puxando a sardinha pro lado da família, raciocínio mais que natural. Os que o conhecem profissionalmente, sabem do que estou escrevendo. Para resumir e não fugir do tema principal do post, transcrevo aqui o que falei a um colega de trabalho semana passada no café: "Até hoje não conheci uma única pessoa que seja tão feliz no trabalho quanto meu irmão". Esse fato, por si só, traduz o benefício que os alunos podem extrair de seus treinos. Não conheço o Fábio como conheço o Tchelo, mas arrisco a dizer que também é um cara feliz com seu trabalho. Um profissional dedicado e focado em fazer com que você treine pra valer, além de fazer questão que os alunos entendam o que estão fazendo, qual músculo está sendo trabalhado, quais os objetivos de cada exercício. Acredite, isso faz toda a diferença, ajuda você a se motivar pra subir montanhas sem sair do lugar.
A concentração, como em qualquer outro esporte, também é essencial nas pedaladas. Você deve mentalizar o treino, concentrar em cada movimento e ter a certeza que os está executando de forma adequada. Essa, que parece a mais fácil, é a parte mais difícil. Está na natureza humana pensar em desistir quando a dor e o cansaço chegam de forma tão intensa. Olhe pro lado, veja que a galera está fervendo, sinta o poderoso som da música que toca, olhe pro professor pedalando pela 3a ou 4a vez no dia com o mesmo empenho, ou simplesmente sonhe com a sauna logo mais.
Disfrute o pós treino, a boa e leve sensação de dever cumprido. Um vitamina, um temaki ou até mesmo um hambúrguer, afinal você merece. Use essa lembrança final na próxima terça ou quinta, você vai precisar dela pra ajustar a bike às 18h30 e começar tudo de novo.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Brasileiros, preparem-se para receber os ingleses em 2014!
Na semana passada o comitê organizador das Olimpíadas de Londres-2012 lançou um manual de recomendações aos ingleses, de forma que saibam como se relacionar com os turistas que desembarcarão por lá. Em especial aos brasileiros, tal manual menciona, por exemplo, que não somos pontuais, que nossas mulheres só usam decotes, dentre outras pérolas. Seguindo a idéia, lanço aqui uma prévia da nossa retribuição, pensando em receber-los na próxima copa do mundo de futebol:
Manual de boas maneiras aos brasileiros quando em contato com turistas ingleses:
1. Não dê risadas do sorriso dos ingleses, eles simplesmente não têm o hábito da higiene bucal.
2. Não sirva cerveja gelada aos ingleses, eles só a tomam quente, "choca" (deve estar aí o motivo do primeiro item).
3. Mulheres brasileiras (decotadas, como mencionam), favor não se insinuarem aos ingleses, eles têm a fama de não gostar muito da "fruta", preferem um jogo de futebol de acordo com pesquisa recente.
4. Não mencionem número de títulos e nem a forma como foram conquistados, eles têm apenas um, em casa e notoriamente roubado.
Foram apenas os primeiros que me ocorreram, aguardo sugestões! A idéia aqui é retribuir a cordialidade que nos aguarda nas Olimpíadas de Londres 2012.
Manual de boas maneiras aos brasileiros quando em contato com turistas ingleses:
1. Não dê risadas do sorriso dos ingleses, eles simplesmente não têm o hábito da higiene bucal.
2. Não sirva cerveja gelada aos ingleses, eles só a tomam quente, "choca" (deve estar aí o motivo do primeiro item).
3. Mulheres brasileiras (decotadas, como mencionam), favor não se insinuarem aos ingleses, eles têm a fama de não gostar muito da "fruta", preferem um jogo de futebol de acordo com pesquisa recente.
4. Não mencionem número de títulos e nem a forma como foram conquistados, eles têm apenas um, em casa e notoriamente roubado.
Foram apenas os primeiros que me ocorreram, aguardo sugestões! A idéia aqui é retribuir a cordialidade que nos aguarda nas Olimpíadas de Londres 2012.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Como às vezes é difícil "dar o exemplo"!
Falar é, na maioria das vezes, mais fácil que Fazer quando o tema é "Dar o exemplo". Não é das coisas mais difíceis dizer ao seu filho o que é certo ou errado, e muitas das vezes também não é doloroso fazer o certo ao invés do errado. Explicar como se portar à mesa é tão fácil quanto fazê-lo, quando pretende ensiná-lo a manusear garfo e faca. Explicar o teorema de Pitágoras e executá-lo antes daquela temida prova de Álgebra também não demanda grande esforço. Exemplos fáceis onde ambos, falar e fazer, são quase que atividades corriqueiras de tão simples tenho aos montes pra sustentar essa linha de raciocínio, pararei por aqui e vou direto ao assunto.
Muricy Ramalho é o sujeito mais correto do mundo podre do futebol. Já suspeitava a um tempo, mas essa semana o Brasil todo teve a certeza. Imagine você, após ter acabado de assumir o compromisso de trabalhar em uma grande empresa de atuação no mercado nacional, receber um bom salário e cumprir determinados objetivos, receba o convite de outra empresa muito maior, com atuação global, recebendo muito mais, algo que seria o topo de sua carreira profissional. O que você faria? Eu não tenho dúvida do que eu faria, imagino que você também não.
Antigamente Palavra era algo realmente importante, não haviam contratos, não havia necessidade de assinar documentos para oficializar o combinado, era no "fio do bigode", como diria meu avô fazendeiro no interior de Minas Gerais. Hoje nem parece que a tal Palavra já representou um acordo, já valeu pra resolver conflitos, já fez as vezes do contrato que assinamos hoje pra tudo na vida, desde telefonar até assistir televisão.
Durante o processo de escolha do técnico da seleção brasileira, Muricy disse o seguinte: "Como pai, o dever de cumprir aquilo que está acertado é a mensagem que passo aos meus filhos e, em nome disso, que mantenho sempre a minha postura e posições em minha vida." . Após receber o convite oficial do ditador Ricardo Teixeira, ele prontamente demonstrou óbvio interesse, o grande sonho próximo de ser realizado. Imagino que depois do convite ele deve ter ido até ao banheiro lavar o rosto, se beliscar e perguntar se aquilo tudo era real. Entretanto, não podia tomar a decisão ali, no cafezinho com o mandatário da CBF. Tinha dado sua palavra, que pra ele tinha inestimado valor. Deixo claro o que penso sobre a diretoria do tricolor fluminense, faltou sensibilidade e bom senso ao julgar a situação, mas esse é outro tema. Ele, melhor treinador do Brasil por 3 anos seguidos, não podia ir contra valores tão irrigados em sua formação, seria anti-ético, não seria justo com ele mesmo, não poderia sequer dormir tranquilo, não seria o Muricy.
Muricy Ramalho é o sujeito mais correto do mundo podre do futebol. Já suspeitava a um tempo, mas essa semana o Brasil todo teve a certeza. Imagine você, após ter acabado de assumir o compromisso de trabalhar em uma grande empresa de atuação no mercado nacional, receber um bom salário e cumprir determinados objetivos, receba o convite de outra empresa muito maior, com atuação global, recebendo muito mais, algo que seria o topo de sua carreira profissional. O que você faria? Eu não tenho dúvida do que eu faria, imagino que você também não.
Antigamente Palavra era algo realmente importante, não haviam contratos, não havia necessidade de assinar documentos para oficializar o combinado, era no "fio do bigode", como diria meu avô fazendeiro no interior de Minas Gerais. Hoje nem parece que a tal Palavra já representou um acordo, já valeu pra resolver conflitos, já fez as vezes do contrato que assinamos hoje pra tudo na vida, desde telefonar até assistir televisão.
Durante o processo de escolha do técnico da seleção brasileira, Muricy disse o seguinte: "Como pai, o dever de cumprir aquilo que está acertado é a mensagem que passo aos meus filhos e, em nome disso, que mantenho sempre a minha postura e posições em minha vida." . Após receber o convite oficial do ditador Ricardo Teixeira, ele prontamente demonstrou óbvio interesse, o grande sonho próximo de ser realizado. Imagino que depois do convite ele deve ter ido até ao banheiro lavar o rosto, se beliscar e perguntar se aquilo tudo era real. Entretanto, não podia tomar a decisão ali, no cafezinho com o mandatário da CBF. Tinha dado sua palavra, que pra ele tinha inestimado valor. Deixo claro o que penso sobre a diretoria do tricolor fluminense, faltou sensibilidade e bom senso ao julgar a situação, mas esse é outro tema. Ele, melhor treinador do Brasil por 3 anos seguidos, não podia ir contra valores tão irrigados em sua formação, seria anti-ético, não seria justo com ele mesmo, não poderia sequer dormir tranquilo, não seria o Muricy.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Observações do cotidiano
Hoje observei duas mudanças no texto que mais ouvi na vida, especialmente nos últimos dois anos, as instruções de segurança de vôo:
1. "...solicitamos que preste atenção nos procedimentos de segurança, mesmo que seja viajante frequente..."
2. "...se uma inesperada despressurização acontecer, máscaras de oxigênio..."
A primeira não mudou muito minha vida, aifinal sempre prestei atenção pra ver a performance da aeromoça ou aeromoço, gosto muito de observar o comportamento humano. A segunda soou no mínimo interessante: e se a tal despressurização for esperada, máscaras de oxigênio não cairão sobre as cabeças dos passageiros?
1. "...solicitamos que preste atenção nos procedimentos de segurança, mesmo que seja viajante frequente..."
2. "...se uma inesperada despressurização acontecer, máscaras de oxigênio..."
A primeira não mudou muito minha vida, aifinal sempre prestei atenção pra ver a performance da aeromoça ou aeromoço, gosto muito de observar o comportamento humano. A segunda soou no mínimo interessante: e se a tal despressurização for esperada, máscaras de oxigênio não cairão sobre as cabeças dos passageiros?
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