Meu interesse em acompanhar jogos de futebol é inversamente proporcional à minha idade. Os motivos, simples e diretos, são: Baixíssimo nível técnico e desinteresse por parte daqueles que recebem milhões de euros/dólares/reais por ano para vestir a camisa do seu time de coração. Já não acompanho como antes meu querido tricolor por tais motivos, embora ainda tenha um Rogério Ceni para me brindar conforme já relatado aqui em outros posts.
Nas últimas semanas, para agravar minha situação, acompanhei três jogos do Barcelona na Liga dos Campeões 2011. Se, por um lado reencontrei o conceito que modestamente tenho sobre o que significa o futebol, por outro aumentei meu desânimo por acompanhar o futebol brasileiro. Sempre tive como referência de performance o São Paulo de 91 e o Palmeiras de 93, times que passavam pelos adversários sem tomar conhecimento e, por vezes, sem o menor respeito. O Barcelona de Xavi, Iniesta, Messi e cia está acima de tudo que já vi ou reverenciei, inclusive o tricolor do Telê e o Palmeiras do Luxemburgo. A raça e liderança de Puyol, a truculência de Mascherano, a eficiência de Xavi, Daniel Alves e Iniesta, o faro de gol do jovem Pedro e o talento ímpar do argentino Messi seguramente encantam até mesmo o mais fanático torcedor do Real Madrid.
O Barcelona usa como filosofia o ponto central dos trabalhos de um velho conhecido nosso, Carlos Alberto Parreira: a posse de bola. Não existe pressa, não existe desespero, não importa o placar, não importa se o jogo é em casa ou fora, não importa o adversário, enfim, nenhuma variável importa quando Guardiola define sua estratégia de jogo. Manutenção da posse de bola o maior tempo possível. Toquem a bola pacientemente até o ataque. Não tem espaço? Recuem, comecem de novo. Devem ser essas as palavras de ordem no treino, em bom espanhol ou catalão.
José Mourinho, tido por muitos como o melhor do mundo na função, sucumbiu aos encantos do adversário. Como aquele menino franzino que foge da primeira briga na escola, se amedrontou diante da superioridade azul-grená. Foi covarde em pleno Santiago Bernabéu. No jogo de volta em Barcelona, quando o destino já estava selado, fingiu não temê-los. O fortíssimo Manchester United, jogando em "casa", deu ares de que poderia tirar os nervos catalães do sério. Impressão que caiu por terra em meros 8 minutos de partida. Já se vão mais de 3 anos que sequer um time consegue marca superior à do Barça no quesito posse de bola durante toda uma partida.
O segredo de todo esse sucesso é simples a olho nú, mas demanda planejamento, investimento e paciência. A grande maioria dos jogadores saem das "canteras", as divisões de base do clube. Ali os garotos são blindados de empresários ganaciosos, para que possam apenas treinar e absorver a cultura do Barça. A maioria dos garotos é de origem espanhola, o que também ajuda a explicar o sucesso da seleção local na última Copa. O técnico também é prata da casa, conhece os caminhos dos centros de treinamento e do Camp Nou.
Como se todos adjetivos empregados até aqui não fossem suficientes, eis a apoteose da final em Wembley, Londres. Carles Puyol, capitão da equipe, é deixado no banco de reservas no jogo mais importante do ano. Reclamações? Irritação? Cara amarrada? Não para um líder do calibre dele. Torcedor empolgado que mesmo do banco transmitia sua emoção e liderança aos companheiros. Aos quarenta e tantos minutos Pep Guardiola, em uma daquelas atitudes que só os grandes de espírito têm, chama seu capitão para entrar em campo, colocar a braçadeira e levantar o troféu mais importante da Europa. Puyol entra em campo, coloca a braçadeira, joga menos de cinco minutos e já parte para o abraço coletivo de comemoração de mais um título. Em um gesto nobre, saca a faixa de capitão e gentilmente a cede ao francês Abidal, que poucos meses antes descobrira um câncer no fígado e retornara aos gramados dias atrás, depois de quase abandonar o esporte. Um exemplo de liderança que só ouvimos falar ou estudamos na escola. Um ato de grandeza adequado para coroar a história de um dos melhores times de futebol de todos os tempos.
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segunda-feira, 13 de junho de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
AC/DC - Antes de Ceni/Depois de Ceni
Nem mesmo o mais sonhador torcedor tricolor poderia imaginar uma apoteose tão perfeita. Os deuses da bola reservaram o dia 27 de março de 2011, aproximadamente 17h10, 9 minutos do segundo tempo de jogo. Escolheram a dedo, com carinho para que o primeiro gol de falta de Rogério Ceni contra o arqui-rival Corinthians fosse o centésimo de sua carreira. A bola está parada, não na marca da cal como fizera um dia o milésimo o maior de todos, Pelé. Ela está onde ele mais gosta ou como mesmo definiu: "Como tudo começou". A tensão e a situação tirariam qualquer um do sério, mas não Rogério Ceni. Não é um sujeito que trabalha com a sorte. Não tem um dom, apenas dedicação ferrenha àquilo que se propôs a fazer da vida. Todos no campo e na telinha, exceto os alvi-negros corintianos, torcem e sonham para que a bola entre. Ele, o M1T0, se concentra. A maioria das vezes é, como desta vez, a única chance em 90 minutos para fazer o que os demais jogadores podem fazer a todo instante. Nesse caso, um lance para cravar seu nome mais uma vez na história do futebol mundial.
Rogério Ceni é a mais fiel tradução do significado da palavra Ídolo. Funcionário exemplar, não saem notícias de que faltou a um treino, reclamou de algum companheiro ou do clube que paga suas contas, de que foi visto bêbado ou em um baile funk. Jamais vestiu outra camisa senão a do clube do coração. Conquistou todos os títulos possíveis que um jogador de futebol pode almejar: Estadual, Brasileiro, Libertadores, Mundial sendo eleito melhor em campo, Copa do Mundo e maior Goleiro-Artilheiro da história, pra ficar nos mais importantes. Como se isso não bastasse, ele ainda pediu You Shook Me All Night Long (AC/DC) no Fantástico! (http://www.youtube.com/watch?v=NJv_JjzFGdE). Nada de pagode, axé, sertanejo ou música gospel, é Rock and Roll babe!
"Goleiro fazer 100 gols é mais difícil que atacante fazer 1000 gols" - Milton Neves. Embora não seja simpatizante de tal jornalista, talvez realmente seja verdade sua afirmação. Até agora Romário e Pelé fizeram 1000 gols, enquanto apenas Rogério Ceni conseguiu fazer 100 gols. Sem contar que Túlio Maravilha continua em ação, aceitando todo tipo de amistoso para chegar ao milésimo! Em tempo, antes que invejosos de plantão se manifestem, não estou aqui comparando coisas incomparáveis, apenas relatando fatos. Pelé foi o maior de todos independente do quesito que se avalie. Abençoados foram nossos pais e avós que o viram desfilar com a 10 do Santos e da Seleção Brasileira.
Respeitar e reverenciar ídolos é algo que não estamos muito acostumados a fazer. Achamos, com excessiva frequencia, que a "grama dos outros é sempre mais verde que a nossa". Americanos e europeus sem dúvida nenhuma o fazem infinatamente melhor que nós. Basta visitar o museu do Santiago Bernabéu ou do Camp Nou para entender a importância que os clubes dão a sua história. Benditos nós, brasileiros e não apenas tricolores, poder ver um expoente tão singular da história do esporte bretão em plena atividade. Está aí, no Morumbi ou na TV todas as semanas, a oportunidade de aprender a valorizar o que é nosso.
Rogério Ceni é a mais fiel tradução do significado da palavra Ídolo. Funcionário exemplar, não saem notícias de que faltou a um treino, reclamou de algum companheiro ou do clube que paga suas contas, de que foi visto bêbado ou em um baile funk. Jamais vestiu outra camisa senão a do clube do coração. Conquistou todos os títulos possíveis que um jogador de futebol pode almejar: Estadual, Brasileiro, Libertadores, Mundial sendo eleito melhor em campo, Copa do Mundo e maior Goleiro-Artilheiro da história, pra ficar nos mais importantes. Como se isso não bastasse, ele ainda pediu You Shook Me All Night Long (AC/DC) no Fantástico! (http://www.youtube.com/watch?v=NJv_JjzFGdE). Nada de pagode, axé, sertanejo ou música gospel, é Rock and Roll babe!
"Goleiro fazer 100 gols é mais difícil que atacante fazer 1000 gols" - Milton Neves. Embora não seja simpatizante de tal jornalista, talvez realmente seja verdade sua afirmação. Até agora Romário e Pelé fizeram 1000 gols, enquanto apenas Rogério Ceni conseguiu fazer 100 gols. Sem contar que Túlio Maravilha continua em ação, aceitando todo tipo de amistoso para chegar ao milésimo! Em tempo, antes que invejosos de plantão se manifestem, não estou aqui comparando coisas incomparáveis, apenas relatando fatos. Pelé foi o maior de todos independente do quesito que se avalie. Abençoados foram nossos pais e avós que o viram desfilar com a 10 do Santos e da Seleção Brasileira.
Respeitar e reverenciar ídolos é algo que não estamos muito acostumados a fazer. Achamos, com excessiva frequencia, que a "grama dos outros é sempre mais verde que a nossa". Americanos e europeus sem dúvida nenhuma o fazem infinatamente melhor que nós. Basta visitar o museu do Santiago Bernabéu ou do Camp Nou para entender a importância que os clubes dão a sua história. Benditos nós, brasileiros e não apenas tricolores, poder ver um expoente tão singular da história do esporte bretão em plena atividade. Está aí, no Morumbi ou na TV todas as semanas, a oportunidade de aprender a valorizar o que é nosso.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Como às vezes é difícil "dar o exemplo"!
Falar é, na maioria das vezes, mais fácil que Fazer quando o tema é "Dar o exemplo". Não é das coisas mais difíceis dizer ao seu filho o que é certo ou errado, e muitas das vezes também não é doloroso fazer o certo ao invés do errado. Explicar como se portar à mesa é tão fácil quanto fazê-lo, quando pretende ensiná-lo a manusear garfo e faca. Explicar o teorema de Pitágoras e executá-lo antes daquela temida prova de Álgebra também não demanda grande esforço. Exemplos fáceis onde ambos, falar e fazer, são quase que atividades corriqueiras de tão simples tenho aos montes pra sustentar essa linha de raciocínio, pararei por aqui e vou direto ao assunto.
Muricy Ramalho é o sujeito mais correto do mundo podre do futebol. Já suspeitava a um tempo, mas essa semana o Brasil todo teve a certeza. Imagine você, após ter acabado de assumir o compromisso de trabalhar em uma grande empresa de atuação no mercado nacional, receber um bom salário e cumprir determinados objetivos, receba o convite de outra empresa muito maior, com atuação global, recebendo muito mais, algo que seria o topo de sua carreira profissional. O que você faria? Eu não tenho dúvida do que eu faria, imagino que você também não.
Antigamente Palavra era algo realmente importante, não haviam contratos, não havia necessidade de assinar documentos para oficializar o combinado, era no "fio do bigode", como diria meu avô fazendeiro no interior de Minas Gerais. Hoje nem parece que a tal Palavra já representou um acordo, já valeu pra resolver conflitos, já fez as vezes do contrato que assinamos hoje pra tudo na vida, desde telefonar até assistir televisão.
Durante o processo de escolha do técnico da seleção brasileira, Muricy disse o seguinte: "Como pai, o dever de cumprir aquilo que está acertado é a mensagem que passo aos meus filhos e, em nome disso, que mantenho sempre a minha postura e posições em minha vida." . Após receber o convite oficial do ditador Ricardo Teixeira, ele prontamente demonstrou óbvio interesse, o grande sonho próximo de ser realizado. Imagino que depois do convite ele deve ter ido até ao banheiro lavar o rosto, se beliscar e perguntar se aquilo tudo era real. Entretanto, não podia tomar a decisão ali, no cafezinho com o mandatário da CBF. Tinha dado sua palavra, que pra ele tinha inestimado valor. Deixo claro o que penso sobre a diretoria do tricolor fluminense, faltou sensibilidade e bom senso ao julgar a situação, mas esse é outro tema. Ele, melhor treinador do Brasil por 3 anos seguidos, não podia ir contra valores tão irrigados em sua formação, seria anti-ético, não seria justo com ele mesmo, não poderia sequer dormir tranquilo, não seria o Muricy.
Muricy Ramalho é o sujeito mais correto do mundo podre do futebol. Já suspeitava a um tempo, mas essa semana o Brasil todo teve a certeza. Imagine você, após ter acabado de assumir o compromisso de trabalhar em uma grande empresa de atuação no mercado nacional, receber um bom salário e cumprir determinados objetivos, receba o convite de outra empresa muito maior, com atuação global, recebendo muito mais, algo que seria o topo de sua carreira profissional. O que você faria? Eu não tenho dúvida do que eu faria, imagino que você também não.
Antigamente Palavra era algo realmente importante, não haviam contratos, não havia necessidade de assinar documentos para oficializar o combinado, era no "fio do bigode", como diria meu avô fazendeiro no interior de Minas Gerais. Hoje nem parece que a tal Palavra já representou um acordo, já valeu pra resolver conflitos, já fez as vezes do contrato que assinamos hoje pra tudo na vida, desde telefonar até assistir televisão.
Durante o processo de escolha do técnico da seleção brasileira, Muricy disse o seguinte: "Como pai, o dever de cumprir aquilo que está acertado é a mensagem que passo aos meus filhos e, em nome disso, que mantenho sempre a minha postura e posições em minha vida." . Após receber o convite oficial do ditador Ricardo Teixeira, ele prontamente demonstrou óbvio interesse, o grande sonho próximo de ser realizado. Imagino que depois do convite ele deve ter ido até ao banheiro lavar o rosto, se beliscar e perguntar se aquilo tudo era real. Entretanto, não podia tomar a decisão ali, no cafezinho com o mandatário da CBF. Tinha dado sua palavra, que pra ele tinha inestimado valor. Deixo claro o que penso sobre a diretoria do tricolor fluminense, faltou sensibilidade e bom senso ao julgar a situação, mas esse é outro tema. Ele, melhor treinador do Brasil por 3 anos seguidos, não podia ir contra valores tão irrigados em sua formação, seria anti-ético, não seria justo com ele mesmo, não poderia sequer dormir tranquilo, não seria o Muricy.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Dale Furia!
La unica vez que una selección gana despues de perder el primer partido, una de las pocas a ganar Euro y Mundial en secuencia, el campeón con menos goles hechos y con menos jugadores a hacer goles. España tomó ventaja de sus mejores equipos Barcelona y Real Madrid, como hicimos nosotros en 58, 62 y 70 con Santos y Botafogo. Desafortunadamente ya no tenemos condiciones de hacer lo mismo, hasta nuestros jugadores medianos ya no trabajan por acá. Benditos sean ellos que aun pueden disfrutar de sus idolos en su pais.
La taza se quedó en las manos de los que mejor usaron los piés. Solo 8 campeones en 80 años de mundial, bienvenida España!
La taza se quedó en las manos de los que mejor usaron los piés. Solo 8 campeones en 80 años de mundial, bienvenida España!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Por uma Copa adequada à realidade brasileira
Logo que veio a tona a notícia de que o Morumbi estava descartado como uma das sedes da Copa de 2014, comecei a me perguntar se aquela era uma boa ou má notícia. Após ler e escutar muita coisa acerca do assunto, em pouquíssimo tempo, já tinha minha opinião formada: Nos moldes propostos por FIFA/CBF, a notícia era ótima.
O São Paulo Futebol Clube é um dos poucos clubes brasileiros que ano após ano fecham o balanço no azul, se não for o único. Há tempos que o clube tem um planejamento estratégico e o executa sob a luz de aspectos técnicos e profissionais, deixando paixão e emoção apenas para as arquibancadas. Times brasileiros dificilmente atingem suas metas financeiras caso não realizem uma boa venda ao exterior. O São Paulo busca diminuir cada vez mais essa dependência, e isso passa por uma gestão mais forte nas finanças do clube, além do melhor aproveitamento das dependências de seu estádio.
As obras exigidas pela FIFA demandariam investimentos da ordem de 600 milhões de reais aos cofres do tricolor paulista. Estudos feitos pela cúpula tricolor geraram as condições para viabilizar tal cifra: Abertura e uma das Semi-finais do mundial deveriam ser no Morumbi. Tendo recebido uma negativa no que tange a essa possibilidade, o tricolor prontamente propôs redução no escopo das obras, algo como 250 milhões visando receber apenas a abertura. O desfecho final dessa negociação todos já sabem.
Existe ainda o aspecto político do clube em relação a entidade máxima do nosso futebol, a CBF, do imortal Ricardo Teixeira. Um voto "inadequado" de Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, na eleição do presidente do Clube dos Treze, sem dúvida alguma teve peso importante nesse jogo de interesses políticos, econômicos e, porque também não afirmar, pessoais. É a política do toma lá dá cá, velha conhecida dos brasileiros.
Governos estadual e municipal já manifestaram quanto a impossibilidade de contar com dinheiro público para a eventual construção de um novo estádio na capital paulista. Conforme declaração de um integrante do governo, a preferência é por investir tal montante em obras que atendam mais amplamente a população da capital, como obras viárias e ampliação do metrô, apenas para exemplificar. Em outras palavras, existem outras prioridades, postura similar à adotada pelo time do Morumbi. Não parece à toa que Estado, Município e Time sejam os mais desenvolvidos do Brasil, apesar dos pesares.
Depois de assistir algumas mesas redondas diretamente da África do Sul, teço meu último comentário a respeito do polêmico tema. Os estádios africanos não são por dentro ou mesmo funcionalmente tão encantadores quanto externamente. Relatos de sanitários de quinta categoria e estacionamentos localizados a 2 ou 3 km de distância do estádio já ouvi de diferentes interlocutores. De forma alguma quero colocar em cheque essa Copa no continente africano, ao contrário, me encanta ver a forma como está sendo conduzida, a oportunidade que o mundo inteiro está tendo de olhar nossos irmão africanos com outros olhos. Minha pergunta é por que tanta exigência apenas com o Morumbi?
A realidade brasileira, ou mesmo a africana, é muito diferente da encontrada na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão. Somos emergentes sim, mas acima de tudo subdesenvolvidos, boa parte do nosso povo não tem o que normalmente se considera condição de subrevivência, além de termos abundância de corrupção em praticamente todos os setores da sociedade. Não podemos jogar mais lenha nessa fogueira, deixar que investimentos fora de nossa realidade sejam feitos nesse momento é pactuar com todos os problemas relatados, é no mínimo falta de compaixão com todos brasileiros. Por uma Copa adequada à nossa realidade, deixo registrada minha satisfação ao abdicar de algo "pessoal" em prol do bem comum.
O São Paulo Futebol Clube é um dos poucos clubes brasileiros que ano após ano fecham o balanço no azul, se não for o único. Há tempos que o clube tem um planejamento estratégico e o executa sob a luz de aspectos técnicos e profissionais, deixando paixão e emoção apenas para as arquibancadas. Times brasileiros dificilmente atingem suas metas financeiras caso não realizem uma boa venda ao exterior. O São Paulo busca diminuir cada vez mais essa dependência, e isso passa por uma gestão mais forte nas finanças do clube, além do melhor aproveitamento das dependências de seu estádio.
As obras exigidas pela FIFA demandariam investimentos da ordem de 600 milhões de reais aos cofres do tricolor paulista. Estudos feitos pela cúpula tricolor geraram as condições para viabilizar tal cifra: Abertura e uma das Semi-finais do mundial deveriam ser no Morumbi. Tendo recebido uma negativa no que tange a essa possibilidade, o tricolor prontamente propôs redução no escopo das obras, algo como 250 milhões visando receber apenas a abertura. O desfecho final dessa negociação todos já sabem.
Existe ainda o aspecto político do clube em relação a entidade máxima do nosso futebol, a CBF, do imortal Ricardo Teixeira. Um voto "inadequado" de Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, na eleição do presidente do Clube dos Treze, sem dúvida alguma teve peso importante nesse jogo de interesses políticos, econômicos e, porque também não afirmar, pessoais. É a política do toma lá dá cá, velha conhecida dos brasileiros.
Governos estadual e municipal já manifestaram quanto a impossibilidade de contar com dinheiro público para a eventual construção de um novo estádio na capital paulista. Conforme declaração de um integrante do governo, a preferência é por investir tal montante em obras que atendam mais amplamente a população da capital, como obras viárias e ampliação do metrô, apenas para exemplificar. Em outras palavras, existem outras prioridades, postura similar à adotada pelo time do Morumbi. Não parece à toa que Estado, Município e Time sejam os mais desenvolvidos do Brasil, apesar dos pesares.
Depois de assistir algumas mesas redondas diretamente da África do Sul, teço meu último comentário a respeito do polêmico tema. Os estádios africanos não são por dentro ou mesmo funcionalmente tão encantadores quanto externamente. Relatos de sanitários de quinta categoria e estacionamentos localizados a 2 ou 3 km de distância do estádio já ouvi de diferentes interlocutores. De forma alguma quero colocar em cheque essa Copa no continente africano, ao contrário, me encanta ver a forma como está sendo conduzida, a oportunidade que o mundo inteiro está tendo de olhar nossos irmão africanos com outros olhos. Minha pergunta é por que tanta exigência apenas com o Morumbi?
A realidade brasileira, ou mesmo a africana, é muito diferente da encontrada na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão. Somos emergentes sim, mas acima de tudo subdesenvolvidos, boa parte do nosso povo não tem o que normalmente se considera condição de subrevivência, além de termos abundância de corrupção em praticamente todos os setores da sociedade. Não podemos jogar mais lenha nessa fogueira, deixar que investimentos fora de nossa realidade sejam feitos nesse momento é pactuar com todos os problemas relatados, é no mínimo falta de compaixão com todos brasileiros. Por uma Copa adequada à nossa realidade, deixo registrada minha satisfação ao abdicar de algo "pessoal" em prol do bem comum.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Camarão canarinho
Aprendi o caminho da minha casa ao Mercado Municipal da Lapa, de fato o google maps me deu boas dicas. Aprendi também a fazer um risotto, como relatei por aqui no mês passado. Por último, mas não menos importante, aprendi também a fazer um bom camarão, como relatado detalhadamente em um dos primeiros posts do blog. Acordei um domingo ensolarado de Junho e decidi fazer tudo isso novamente, em uma só tacada:
Diferente do camarão anterior que fiz, use os de tamanho médio para que "harmonize" bem com o risotto. Esse aí teve alho porró (como gosto desse ingrediente!) acompanhando os tradicionais cebola e alho no preparado do arroz arbóreo, além do açafrão pra garantir o colorido. Os camarões foram salteados com tempero especial, a base de páprika entre outras especiarias. Abri mão do vinho branco na primeira passada do risotto, escolhi a cachaça, que, combinada com a salsa, deu o toque canarinho para o início da Copa. Vai Grafite!
Diferente do camarão anterior que fiz, use os de tamanho médio para que "harmonize" bem com o risotto. Esse aí teve alho porró (como gosto desse ingrediente!) acompanhando os tradicionais cebola e alho no preparado do arroz arbóreo, além do açafrão pra garantir o colorido. Os camarões foram salteados com tempero especial, a base de páprika entre outras especiarias. Abri mão do vinho branco na primeira passada do risotto, escolhi a cachaça, que, combinada com a salsa, deu o toque canarinho para o início da Copa. Vai Grafite!
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Ubuntu
Hoje é o início de um evento único em nossa história: a Copa da mundo da África. Nunca antes tivemos e talvez nunca mais tenhamos uma Copa de um Continente e não de um só País. Quem viu a abertura hoje, antes do pontapé inicial para África do Sul e México, sabe a que me refiro. Referências a todos os países africanos, artistas de vários deles se apresentando e a montagem do mapa mundi com o continente no centro de tudo, não apenas a África do Sul. Pegadas saindo dali rumo ao resto do mundo, em alusão a origem da espécie humana.
Viajemos no tempo até 2014: Teremos a Copa da América do Sul? Aposto que não, será apenas a Copa do Brasil. Foi assim com europeus, americanos e asiáticos. Talvez somente os africanos mesmo, um povo tão sofrido, tenham essa sensibilidade com os mais próximos, com os irmãos. Que bela mensagem de união. Deve ter o dedo do Mandela, que anos atrás e ali mesmo, onde hoje o belíssimo Soccer City exibe sua grandeza, oficializava sua luta contra o apartheid.
A África tem mais de 1000 idiomas, mas existe uma palavra comum em muitos deles. A melhor tradução para tal expressão é Humanindade. Entretanto, existem outras interpretações como amizade, companheirismo, união, compaixão, entre outros similares. Nada melhor e tão plural pra resumir o sentimento de uma Copa do Mundo na África, Ubuntu!
Viajemos no tempo até 2014: Teremos a Copa da América do Sul? Aposto que não, será apenas a Copa do Brasil. Foi assim com europeus, americanos e asiáticos. Talvez somente os africanos mesmo, um povo tão sofrido, tenham essa sensibilidade com os mais próximos, com os irmãos. Que bela mensagem de união. Deve ter o dedo do Mandela, que anos atrás e ali mesmo, onde hoje o belíssimo Soccer City exibe sua grandeza, oficializava sua luta contra o apartheid.
A África tem mais de 1000 idiomas, mas existe uma palavra comum em muitos deles. A melhor tradução para tal expressão é Humanindade. Entretanto, existem outras interpretações como amizade, companheirismo, união, compaixão, entre outros similares. Nada melhor e tão plural pra resumir o sentimento de uma Copa do Mundo na África, Ubuntu!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Estou preparado pra Copa
Eu não estava no clima da Copa até hoje. Não sei o motivo de tal sentimento, talvez o ritmo insano da minha vida nos últimos dias, talvez a idade, talvez eu simplesmente nem saiba a razão mesmo. Pode ser que eu esteja mais ao estilo Rogério Ceni: "Minha Copa é a Libertadores". Imagino realmente que seja a primeira hipótese. Não tenho tido tempo para quase nada além do trabalho, o que me impede de acompanhar o noticiário e então sentir envolvimento com a Copa, com a nossa seleção.
Eis que hoje, via twitter, cliquei em um link. Como já diziam os gurus do mercado publicitário, idéia boa é idéia simples. A que vi hoje é simples, de fácil implementação e baixo custo, porém de grande impacto, ao menos para o coração do blogueiro http://www.youtube.com/watch?v=u8hqveOgfAI
Emocionante, inteligente, tocante, diferenciado. Assim vejo esse tipo de apoio à nossa seleção. Nossos jogadores já têm tudo que um dia sonharam, ganham salários astronômicos e vivem em palacetes em algum canto da Europa, mas eles também têm um coração, como o meu e o seu, que pulsa e vibra no embalo do nosso futebol. Eles devem ter sentido lá no fundo aquele orgulho de estar ali, prestes a entrar pra história.
Ganhar a Copa envolve muita coisa, técnica e tática são apenas alguns dos ingredientes. É preciso combinar com o adversário, que também vem com a faca nos dentes pra vencer. Futebol temos de sobra, não pra dar e sim pra vender, caro, a quem tenha euros disponíveis. Nossa camisa tem história como nenhuma outra, por favor honrem-na. Que 50, 82 e 98 sirvam de lição, nas maiores quedas estão os maiores ensinamentos. Usem nossa história, aí estão nossos exemplos. Inspirem-se na técnica dos três primeiros títulos, na raça e aplicação tática do quarto e no espírito de grupo do quinto. O vídeo dá o tempero final à essa receita: gol de canela, muralha verde-amarela, espantalho, alho embaixo do travesseiro, fé e raça. Agora é entrega, paixão, e orgulho de vestir a amarelinha, traz a taça Brasil!
Eis que hoje, via twitter, cliquei em um link. Como já diziam os gurus do mercado publicitário, idéia boa é idéia simples. A que vi hoje é simples, de fácil implementação e baixo custo, porém de grande impacto, ao menos para o coração do blogueiro http://www.youtube.com/watch?v=u8hqveOgfAI
Emocionante, inteligente, tocante, diferenciado. Assim vejo esse tipo de apoio à nossa seleção. Nossos jogadores já têm tudo que um dia sonharam, ganham salários astronômicos e vivem em palacetes em algum canto da Europa, mas eles também têm um coração, como o meu e o seu, que pulsa e vibra no embalo do nosso futebol. Eles devem ter sentido lá no fundo aquele orgulho de estar ali, prestes a entrar pra história.
Ganhar a Copa envolve muita coisa, técnica e tática são apenas alguns dos ingredientes. É preciso combinar com o adversário, que também vem com a faca nos dentes pra vencer. Futebol temos de sobra, não pra dar e sim pra vender, caro, a quem tenha euros disponíveis. Nossa camisa tem história como nenhuma outra, por favor honrem-na. Que 50, 82 e 98 sirvam de lição, nas maiores quedas estão os maiores ensinamentos. Usem nossa história, aí estão nossos exemplos. Inspirem-se na técnica dos três primeiros títulos, na raça e aplicação tática do quarto e no espírito de grupo do quinto. O vídeo dá o tempero final à essa receita: gol de canela, muralha verde-amarela, espantalho, alho embaixo do travesseiro, fé e raça. Agora é entrega, paixão, e orgulho de vestir a amarelinha, traz a taça Brasil!
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Berinjela tricolor
Transformei a quarta-feira no meu laboratório culinário. Faço minhas experiências, testo ingredientes e temperos enquanto meu irmão serve de cobaia. Futebol harmoniza muito bem com gastronomia, a cerveja faz o papel da sanfona em uma boa moda de viola.
As quartas do primeiro semestre são sempre melhores, com o tempero picante da Libertadores. Semana passada tivemos pela frente o temido Cruzeiro, em pleno Mineirão. Memórias recentes e ruins não faltavam ao torcedor tricolor, Kléber e cia arrebentaram ano passado. Nesse cenário, resolvi investir em algo muito objetivo, uma simples berinjela! Queria mesmo era incentivar meu querido time a não inventar, jogar o "arroz com feijão", que na minha versão virou "berinjela com tomate".
A volta do 3-5-2 e a estréia do Fernandão foram o manjericão e o parmesão na ocasião. Um time com dois laterais fracos no quesito marcação deve proteger melhor a zaga, congestionando o meio campo quando está sem a bola. Um time com 2 velocistas integrando a linha de frente deve ter um cérebro para guiá-los, coordená-los e acioná-los. Deu mais que certo, superou a expectativa do são paulino mais otimista, até mesmo dos que enaltecem o time da fé nas competições sul americanas.
Minha berinjela é como o 3-5-2, oferece mais segurança. Em tempos de insegurança ou não, tenha fé e mão na massa: 1 berinjela, cebola, alho, tomate, manjericão e queijo. Berinjela e tomate em cubos, adicione primeiro ela, depois ele, ambos após refogar cebola e alho no azeite extra virgem com grau de acidez no máximo em 0,5%. Salteie o queijo e leve por poucos minutos ao forno pré-aquecido.
Já no final de semana, minha principal cliente exigindo ação, não podia ficar só no "mais seguro". Eu precisava adicionar plástica, beleza, leveza, inteligência, eu precisava do efeito Fernandão! Ela infelizmente não presencia minhas experiências culinárias às quartas, o que me permitiu repetir com maestria, rápida e objetivamente, o resultado da semana anterior, assim como espero que o faça meu time essa semana.
As quartas do primeiro semestre são sempre melhores, com o tempero picante da Libertadores. Semana passada tivemos pela frente o temido Cruzeiro, em pleno Mineirão. Memórias recentes e ruins não faltavam ao torcedor tricolor, Kléber e cia arrebentaram ano passado. Nesse cenário, resolvi investir em algo muito objetivo, uma simples berinjela! Queria mesmo era incentivar meu querido time a não inventar, jogar o "arroz com feijão", que na minha versão virou "berinjela com tomate".
A volta do 3-5-2 e a estréia do Fernandão foram o manjericão e o parmesão na ocasião. Um time com dois laterais fracos no quesito marcação deve proteger melhor a zaga, congestionando o meio campo quando está sem a bola. Um time com 2 velocistas integrando a linha de frente deve ter um cérebro para guiá-los, coordená-los e acioná-los. Deu mais que certo, superou a expectativa do são paulino mais otimista, até mesmo dos que enaltecem o time da fé nas competições sul americanas.
Minha berinjela é como o 3-5-2, oferece mais segurança. Em tempos de insegurança ou não, tenha fé e mão na massa: 1 berinjela, cebola, alho, tomate, manjericão e queijo. Berinjela e tomate em cubos, adicione primeiro ela, depois ele, ambos após refogar cebola e alho no azeite extra virgem com grau de acidez no máximo em 0,5%. Salteie o queijo e leve por poucos minutos ao forno pré-aquecido.
Já no final de semana, minha principal cliente exigindo ação, não podia ficar só no "mais seguro". Eu precisava adicionar plástica, beleza, leveza, inteligência, eu precisava do efeito Fernandão! Ela infelizmente não presencia minhas experiências culinárias às quartas, o que me permitiu repetir com maestria, rápida e objetivamente, o resultado da semana anterior, assim como espero que o faça meu time essa semana.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A maioria têm meros goleiros, nós temos Rogério Ceni
"Vou ser sincero, não sou muito ligado em Seleção. Meu ganha pão se chama São Paulo, minha Copa do Mundo é a Libertadores e meu coração tem três cores: vermelho, preto e branco. Tenho simpatia, torço pela Seleção, mas minha Copa é essa - assegurou o capitão", ontem no Mineirão, 2x0 no Cruzeiro, jogo de ida das Quartas de Final da Libertadores.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Esperança de um novo Amoroso
Não temos técnico e a Conmebol não ajudou, vamos de Richarlyson novamente, pra piorar improvisado. O Cruzeiro apresenta o melhor futebol brasileiro na Libertadores 2010, como também o fez em 2009. Temos um elenco melhor que no ano passado, mas um time taticamente pior, que não apresenta algo que podemos chamar de futebol brasileiro. Falta esquema, raça, paixão, falta alma ao meu querido tricolor. E com esse time melhor de 2009, perdemos aqui e lá em Belo Horizonte.
A única esperança que tenho deposito no Fernandão. Não acho que ele seja um craque, mas creio que ele possa ser o Amoroso de 2005. É um jogador vencedor, experiente, líder, que pode injetar um ânimo extra nesse time sem tempero. Como Libertadores é muito mais transpiração que técnica, quem sabe não dá zebra? Como diz um fanático tricolor que trabalha comigo: Somos o time da fé!
A única esperança que tenho deposito no Fernandão. Não acho que ele seja um craque, mas creio que ele possa ser o Amoroso de 2005. É um jogador vencedor, experiente, líder, que pode injetar um ânimo extra nesse time sem tempero. Como Libertadores é muito mais transpiração que técnica, quem sabe não dá zebra? Como diz um fanático tricolor que trabalha comigo: Somos o time da fé!
terça-feira, 11 de maio de 2010
Daniel Alves pode ser o fiel da balança hoje
Daniel Alves pode decidir hoje pro Brasil, bem antes do pontapé inicial na África do Sul. Com um jogador que pode atuar na sua posição de origem, lateral direita, na outra laterial, no meio ou até mesmo de voltante, não creio haja necessidade de levar um segundo laterial esquerdo, inclusive penso que poderíamos economizar adicionalmente um meia ou volante da atual lista que ronda a cabeça de Dunga.
Sei que a lateral esquerda é uma dor de cabeça para nosso técnico, por isso talvez ele opte por levar dois de ofício pra finalizar os testes e escolher o melhor no momento. Com a bola que Ganso e Neymar estão jogando hoje, temos que arrumar espaço pra eles! E Daniel Alves é o único que pode nos dar essa margem pra sonhar. Está numa fase tão boa e é tão polivalente que nos traz a segurança para "arriscar", acredite Dunga, podemos ser um pouco mais ousados.
Vamos lembrar um pouco de 58, quando Pelé jamais havia vestido a amarelhinha. O próprio Zagallo também não havia tido o prazer, embora tenha comentado que não levaria os meninos da Vila por não terem vestido a camisa canarinho antes?!?! Se a seleção titular tiver o empenho que 200 milhões de brasileiros esperam, talvez eles nem precisem entrar em campo, podem apenas contagiar o time fora dele e usar a experiência como aprendizado para estourar e nos dar o oitavo caneco em casa, daqui a 4 anos. Por outro lado, se Kaká estiver em tarde pouco inspirada, mandemos nosso Zidane aos gramados. Se Robinho estiver mal, idem, Neymar neles! É um risco calculado e pode decidir a nosso favor! Em 30 minutos saberemos...
Sei que a lateral esquerda é uma dor de cabeça para nosso técnico, por isso talvez ele opte por levar dois de ofício pra finalizar os testes e escolher o melhor no momento. Com a bola que Ganso e Neymar estão jogando hoje, temos que arrumar espaço pra eles! E Daniel Alves é o único que pode nos dar essa margem pra sonhar. Está numa fase tão boa e é tão polivalente que nos traz a segurança para "arriscar", acredite Dunga, podemos ser um pouco mais ousados.
Vamos lembrar um pouco de 58, quando Pelé jamais havia vestido a amarelhinha. O próprio Zagallo também não havia tido o prazer, embora tenha comentado que não levaria os meninos da Vila por não terem vestido a camisa canarinho antes?!?! Se a seleção titular tiver o empenho que 200 milhões de brasileiros esperam, talvez eles nem precisem entrar em campo, podem apenas contagiar o time fora dele e usar a experiência como aprendizado para estourar e nos dar o oitavo caneco em casa, daqui a 4 anos. Por outro lado, se Kaká estiver em tarde pouco inspirada, mandemos nosso Zidane aos gramados. Se Robinho estiver mal, idem, Neymar neles! É um risco calculado e pode decidir a nosso favor! Em 30 minutos saberemos...
quinta-feira, 6 de maio de 2010
"Centernada"
Nada de novo no futebol, Corinthians fora da Libertadores mais uma vez. Torcida chora, quebra carros e estabelecimentos comerciais na Av Pacaembu, setenta bandidos são presos.
O Corinthians jogou melhor no primeiro tempo, muito melhor eu diria. Deu impressão de goleada, Ronaldo marcou depois de assustar o zagueiro no gol contra. Tudo parecia caminhar para uma mudança na história internacional do clube. O Flamengo rifava a bola, não matinha a posse como esperado, estava assustado. O Timão aproveitou, mas não o suficiente. O inexperiente técnico do Flamengo substituiu muito bem, a entrada do Kléberson deu calma, experiência e os passes que o meio campo rubro-negro necessitava no momento. Mano, ao contrário, muito experiente, mexeu muito mal. Elias organizava as jogadas alvi-negras, não podia ter saído. Tanto mexeu mal, que colocou Jucilei, teve que fazer duas alterações para ter o efeito esperado, mesmo assim incorretamente.
Libertadores e Corinthians não devem mesmo ter sido feitos um para o outro, o time parece realmente que não tem passaporte, como dizem torcedores rivais como o blogueiro. O jogo não encaixa, quando parece que vai, que está tudo certo, alguma força maior surge e estraga tudo. A tal força, ontem, foi Vágner Love, preciso e matador, garantindo a derrota mais saborosa da história do Flamengo. O time da Gávea, ao meu ver, virou grande favorito. Qualquer um dos dois que saísse do duelo de ontem, seria credenciado dessa forma. A chave é mais fácil e a torcida desses times costuma empurrá-los quando o torneio afunila, aguardemos cenas do próximo capítulo. Em tempo, não acredito que meu querido tricolor vá longe, pra ser mais específico, acho que repetiremos o enredo do ano passado, sucumbindo diante do Cruzeiro, brasileiro que apresenta o melhor futebol do campeonato atualmente.
Parabéns pelo Centenário Sport Clube Corinthians! Cem anos de uma bela história no cenário nacional.
Breve seleção das melhores do dia dedicado a tirar onda de gambás:
Perder uma Libertadores é humano, perder TODAS é curinthianu!
Panificadora Centenário, há 100 anos vendendo sonhos!
Calma, não comemorem tanto, eles ainda podem cair novamente pra série B esse ano.
Corinthians é igual ao Michael Jackson, vende todos os ingressos pro show e morre em casa!
Agora resta torcer pro Marcelinho Carioca ganhar a Dança dos Famosos!
O Corinthians jogou melhor no primeiro tempo, muito melhor eu diria. Deu impressão de goleada, Ronaldo marcou depois de assustar o zagueiro no gol contra. Tudo parecia caminhar para uma mudança na história internacional do clube. O Flamengo rifava a bola, não matinha a posse como esperado, estava assustado. O Timão aproveitou, mas não o suficiente. O inexperiente técnico do Flamengo substituiu muito bem, a entrada do Kléberson deu calma, experiência e os passes que o meio campo rubro-negro necessitava no momento. Mano, ao contrário, muito experiente, mexeu muito mal. Elias organizava as jogadas alvi-negras, não podia ter saído. Tanto mexeu mal, que colocou Jucilei, teve que fazer duas alterações para ter o efeito esperado, mesmo assim incorretamente.
Libertadores e Corinthians não devem mesmo ter sido feitos um para o outro, o time parece realmente que não tem passaporte, como dizem torcedores rivais como o blogueiro. O jogo não encaixa, quando parece que vai, que está tudo certo, alguma força maior surge e estraga tudo. A tal força, ontem, foi Vágner Love, preciso e matador, garantindo a derrota mais saborosa da história do Flamengo. O time da Gávea, ao meu ver, virou grande favorito. Qualquer um dos dois que saísse do duelo de ontem, seria credenciado dessa forma. A chave é mais fácil e a torcida desses times costuma empurrá-los quando o torneio afunila, aguardemos cenas do próximo capítulo. Em tempo, não acredito que meu querido tricolor vá longe, pra ser mais específico, acho que repetiremos o enredo do ano passado, sucumbindo diante do Cruzeiro, brasileiro que apresenta o melhor futebol do campeonato atualmente.
Parabéns pelo Centenário Sport Clube Corinthians! Cem anos de uma bela história no cenário nacional.
Breve seleção das melhores do dia dedicado a tirar onda de gambás:
Perder uma Libertadores é humano, perder TODAS é curinthianu!
Panificadora Centenário, há 100 anos vendendo sonhos!
Calma, não comemorem tanto, eles ainda podem cair novamente pra série B esse ano.
Corinthians é igual ao Michael Jackson, vende todos os ingressos pro show e morre em casa!
Agora resta torcer pro Marcelinho Carioca ganhar a Dança dos Famosos!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Super 4a
Rápidos comentários sobre a super quarta-feira do futebol ontem:
Champions - o futebol é muito mais competitivo atualmente, os times têm até direito de não jogar bola e levar a classificação. Com um a menos e míseros 25% de posse de bola, a Inter de Milão levou a melhor sobre o magnífico Barcelona. Os italianos fizeram o resultado em casa, mas abriram mão totalmente de praticar o que chamamos de futebol, um "quê" de lamentável com um time daqueles.
Libertadores 1 - Péssima atuação do meu querido tricolor em Lima, no Peru. Time mal escalado, sem alma, jogadores sem espírito de Libertadores. Embora o resultado não seja dos melhores, trazemos uma belíssima notícia: Richarlyson com certeza não jogará. Peço ao árbitro que considere agressão o xilique que ele deu, quem sabe não pega um gancho maior.
Libertadores 2 - Sabe aquele gordo do bar da esquina da sua casa que toma cerveja todo dia a tarde? Aquele que a camisa até pára na dobra da pança? Ronaldo lembrou um pouco esse cara em campo ontem, dá até a impressão que sofrerá algum ataque do coração qualquer hora. Em determinados momentos, matou de canela, em outros, a lentidão impediu de simplesmente chutar a bola diante dos seus pés. No único lance produtivo, quando cruzou a bola na cabeça de 2 jogadores corinthianos ao mesmo tempo, deu pra notar que o fez com dificuldade, com sofrimento. É triste ver um grande jogador nessas condições, talvez apenas pra satisfazer desejos de cartolas e patrocinadores. O aguerrido Flamengo, com um a menos em campo e muitos a mais nas arquibancadas fez bem, não levou gol em casa e leva boa vantagem. O "Centenada" está próximo, se bem que já ganharam um título: Musa do Paulistão.
Copa do Brasil - Boa, mas ao meu ver insuficiente, a vitória do Galo contra o mais vistoso futebol visto atualmente no Brasil, o do Santos. Não vi mas imagino a entrevista do Luxemburgo: "Conheço esses meninos, sei como anulá-los, montei esquema tático inovador, surpreendi, bla bla bla". Mesmo se ficar de fora, tenho certeza que ele vai tentar capitalizar o feito e achar que é o melhor técnico do Brasil mais uma vez.
Champions - o futebol é muito mais competitivo atualmente, os times têm até direito de não jogar bola e levar a classificação. Com um a menos e míseros 25% de posse de bola, a Inter de Milão levou a melhor sobre o magnífico Barcelona. Os italianos fizeram o resultado em casa, mas abriram mão totalmente de praticar o que chamamos de futebol, um "quê" de lamentável com um time daqueles.
Libertadores 1 - Péssima atuação do meu querido tricolor em Lima, no Peru. Time mal escalado, sem alma, jogadores sem espírito de Libertadores. Embora o resultado não seja dos melhores, trazemos uma belíssima notícia: Richarlyson com certeza não jogará. Peço ao árbitro que considere agressão o xilique que ele deu, quem sabe não pega um gancho maior.
Libertadores 2 - Sabe aquele gordo do bar da esquina da sua casa que toma cerveja todo dia a tarde? Aquele que a camisa até pára na dobra da pança? Ronaldo lembrou um pouco esse cara em campo ontem, dá até a impressão que sofrerá algum ataque do coração qualquer hora. Em determinados momentos, matou de canela, em outros, a lentidão impediu de simplesmente chutar a bola diante dos seus pés. No único lance produtivo, quando cruzou a bola na cabeça de 2 jogadores corinthianos ao mesmo tempo, deu pra notar que o fez com dificuldade, com sofrimento. É triste ver um grande jogador nessas condições, talvez apenas pra satisfazer desejos de cartolas e patrocinadores. O aguerrido Flamengo, com um a menos em campo e muitos a mais nas arquibancadas fez bem, não levou gol em casa e leva boa vantagem. O "Centenada" está próximo, se bem que já ganharam um título: Musa do Paulistão.
Copa do Brasil - Boa, mas ao meu ver insuficiente, a vitória do Galo contra o mais vistoso futebol visto atualmente no Brasil, o do Santos. Não vi mas imagino a entrevista do Luxemburgo: "Conheço esses meninos, sei como anulá-los, montei esquema tático inovador, surpreendi, bla bla bla". Mesmo se ficar de fora, tenho certeza que ele vai tentar capitalizar o feito e achar que é o melhor técnico do Brasil mais uma vez.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Parabéns!
Pasmem, existe! hoje é o dia do goleiro!
Felizes aqueles que viram Taffarel, Zetti, Marcos e Rogério Ceni, os melhores que meus 30 anos acompanharam.
Tenho vivos na memória os momentos mágicos que esses gigantes me proporcionaram:
Taffarel: Como esquecer a decisão por pênaltis em 1994? Ou mesmo as semifinais em 1998? O cara que fez o melhor jogador no mundo à época literalmente tremer na base.
Zetti: Gamboa (News Old Boys) parte para a cobrança decisiva do pênalti no Morumbi e ele busca no cantinho esquerdo, a Libertadores é nossa!
Marcos: Creio que foi o melhor que vi atuar, considerando apenas a defesa da meta. Não esqueço contra a Alemanha em 2002, chute de média distância, belíssima defesa. Título de melhor goleiro da Copa não foi pra ele por simples "Prêmio Consolação".
Rogério Ceni: Sou tricolor, todos sabem, graças a Deus. Arrisco a dizer que não vi uma sequência de defesas como ele fez contra o Liverpool, na final do mundial. Gerrard e Xabi Alonso não sabiam mais o que fazer, era uma muralha intransponível. Talvez tenha sido a única vez na história que o Mundial teve um goleiro como o craque do Mundial, nada mais justo.
Marcos e Ceni ainda levam uma pontuação adicional do blogueiro. Tiveram muitas oportunidades de sair, buscar outros ares e receber em dólares ou euros. Resolveram agir de forma diferente do "senso comum", foram fiéis, dedicando toda a vida a defender seus times do coração. Raro, importante e exemplar.
Finalizando, compartilho uma muito boa que ouvi hoje sobre o homeageado do dia: "É o jogador que morre a cada gol e nasce a cada defesa"
Felizes aqueles que viram Taffarel, Zetti, Marcos e Rogério Ceni, os melhores que meus 30 anos acompanharam.
Tenho vivos na memória os momentos mágicos que esses gigantes me proporcionaram:
Taffarel: Como esquecer a decisão por pênaltis em 1994? Ou mesmo as semifinais em 1998? O cara que fez o melhor jogador no mundo à época literalmente tremer na base.
Zetti: Gamboa (News Old Boys) parte para a cobrança decisiva do pênalti no Morumbi e ele busca no cantinho esquerdo, a Libertadores é nossa!
Marcos: Creio que foi o melhor que vi atuar, considerando apenas a defesa da meta. Não esqueço contra a Alemanha em 2002, chute de média distância, belíssima defesa. Título de melhor goleiro da Copa não foi pra ele por simples "Prêmio Consolação".
Rogério Ceni: Sou tricolor, todos sabem, graças a Deus. Arrisco a dizer que não vi uma sequência de defesas como ele fez contra o Liverpool, na final do mundial. Gerrard e Xabi Alonso não sabiam mais o que fazer, era uma muralha intransponível. Talvez tenha sido a única vez na história que o Mundial teve um goleiro como o craque do Mundial, nada mais justo.
Marcos e Ceni ainda levam uma pontuação adicional do blogueiro. Tiveram muitas oportunidades de sair, buscar outros ares e receber em dólares ou euros. Resolveram agir de forma diferente do "senso comum", foram fiéis, dedicando toda a vida a defender seus times do coração. Raro, importante e exemplar.
Finalizando, compartilho uma muito boa que ouvi hoje sobre o homeageado do dia: "É o jogador que morre a cada gol e nasce a cada defesa"
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Só podia
Hoje é dia 21 de abril, feriado de Tiradentes. O São Paulo está nesse momento jogando sua classificação na Libertadores 2010, contra o Once Caldas de Manizales, Colômbia. Finalizando a introdução, já deixei claro aqui que não vejo o Ricardo Gomes como técnico à altura do meu querido tricolor.
Feriado em plena quarta-feira, apenas pra quebrar a semana. Feita declaração de imposto de renda na parte da manhã, fui em direção à zona sul para um almoço mexicano com amigos boleiros. Já acompanhei mais o futebol em geral, hoje leio mais que assisto. Entre burritos e quesadillas, eles me informam que o Ricardo Gomes é casado com a sobrinha do Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Estalo na minha cabeça, tudo fazia mais sentido.
Não entendia como um técnico medíocre havia chegado ao posto mais alto na categoria no futebol brasileiro. No currículo, ele ostentava até então o vexame olímpico com uma das melhores safras que o futebol canarinho já teve, a pior campanha na história de um patético time francês, além de ter comandado o "forte" Juventude.
Agora tudo se encaixa, teremos que engolir um elenco cheio de bons jogadores mas sem padrão tático até que a decisão sobre o estádio paulista na Copa seja oficialmente tomada. Como tudo no Brasil, há um jogo de interesses econômicos e políticos que se sobressai sobre qualquer outra variável, mesmo que desafie o óbvio.
O tricolor vence e se classifica nesse momento, embora jogue muito mal. O Once Caldas voltou melhor no segundo tempo. Ricardo Gomes mais uma vez mexeu muito mal no time, como na Vila Belmiro há poucos dias. O São Paulo deve se classificar, provavelmente em primeiro lugar do grupo, mas não deve ir longe na competição. Nada disso importa e nem mudará o plano principal. Torço para que FIFA e CBF confirmem logo o Morumbi como palco da abertura da Copa em 2014.
Feriado em plena quarta-feira, apenas pra quebrar a semana. Feita declaração de imposto de renda na parte da manhã, fui em direção à zona sul para um almoço mexicano com amigos boleiros. Já acompanhei mais o futebol em geral, hoje leio mais que assisto. Entre burritos e quesadillas, eles me informam que o Ricardo Gomes é casado com a sobrinha do Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Estalo na minha cabeça, tudo fazia mais sentido.
Não entendia como um técnico medíocre havia chegado ao posto mais alto na categoria no futebol brasileiro. No currículo, ele ostentava até então o vexame olímpico com uma das melhores safras que o futebol canarinho já teve, a pior campanha na história de um patético time francês, além de ter comandado o "forte" Juventude.
Agora tudo se encaixa, teremos que engolir um elenco cheio de bons jogadores mas sem padrão tático até que a decisão sobre o estádio paulista na Copa seja oficialmente tomada. Como tudo no Brasil, há um jogo de interesses econômicos e políticos que se sobressai sobre qualquer outra variável, mesmo que desafie o óbvio.
O tricolor vence e se classifica nesse momento, embora jogue muito mal. O Once Caldas voltou melhor no segundo tempo. Ricardo Gomes mais uma vez mexeu muito mal no time, como na Vila Belmiro há poucos dias. O São Paulo deve se classificar, provavelmente em primeiro lugar do grupo, mas não deve ir longe na competição. Nada disso importa e nem mudará o plano principal. Torço para que FIFA e CBF confirmem logo o Morumbi como palco da abertura da Copa em 2014.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Recall de camisas
É a primeira vez que vejo tal procedimento na indústria de confecções: Recall de camisas!
Não há como negar, bela jogada de marketing na venda antecipada de artigos esportivos. Servirá também de motivação pra esse ano, visando justificar investimentos dos torcedores no ano passado.
Não há como negar, bela jogada de marketing na venda antecipada de artigos esportivos. Servirá também de motivação pra esse ano, visando justificar investimentos dos torcedores no ano passado.
segunda-feira, 29 de março de 2010
O futebol perdeu poesia
Belo texto do camisa 10 do jornalismo esportivo brasileiro:
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1548985-9825,00-MEXICO+UMA+CRONICA+HISTORICA+DO+MESTRE+ARMANDO+NOGUEIRA.html
Lindas palavras do agora saudoso Armando Nogueira, que têm a capacidade de nos colocar de corpo e alma num dos momentos mais bonitos da história do futebol mundial.
O Brasil ganhou sua terceira copa em 1970, no México. Ali também triunfaram os argentinos 16 anos mais tarde, com show del Dios Diego. Tive a oportunidade de conhecer o México em 2006, em uma viagem a trabalho. Pude ver ali a emoção dos mexicanos pelo título brasileiro. Embora mais distante no tempo que o título argentino, é Didi estampado em uma grande loja de departamentos que você encontra, não Maradona. Conversando com mexicanos sobre o assunto, você percebe o título brasileiro mais vivo na memória, toca o coração deles quase como toca o seu. Não sei o real motivo de ser assim, mas imagino que seja simpatia mútua entre os povos aliado ao espetáculo que Pelé e companhia deram de presente aos nossos hermanos da América do Norte.
Eles entraram para a história, como sede do mais belo futebol já apresentado na terra em todos tempos. Viram um espetáculo de Pelé, Gérson, Garrincha, Tostão e Jairzinho. Foi uma apresentação única, não haverá outra vez. Foi turnê única, em 70, no abençoado México.
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1548985-9825,00-MEXICO+UMA+CRONICA+HISTORICA+DO+MESTRE+ARMANDO+NOGUEIRA.html
Lindas palavras do agora saudoso Armando Nogueira, que têm a capacidade de nos colocar de corpo e alma num dos momentos mais bonitos da história do futebol mundial.
O Brasil ganhou sua terceira copa em 1970, no México. Ali também triunfaram os argentinos 16 anos mais tarde, com show del Dios Diego. Tive a oportunidade de conhecer o México em 2006, em uma viagem a trabalho. Pude ver ali a emoção dos mexicanos pelo título brasileiro. Embora mais distante no tempo que o título argentino, é Didi estampado em uma grande loja de departamentos que você encontra, não Maradona. Conversando com mexicanos sobre o assunto, você percebe o título brasileiro mais vivo na memória, toca o coração deles quase como toca o seu. Não sei o real motivo de ser assim, mas imagino que seja simpatia mútua entre os povos aliado ao espetáculo que Pelé e companhia deram de presente aos nossos hermanos da América do Norte.
Eles entraram para a história, como sede do mais belo futebol já apresentado na terra em todos tempos. Viram um espetáculo de Pelé, Gérson, Garrincha, Tostão e Jairzinho. Foi uma apresentação única, não haverá outra vez. Foi turnê única, em 70, no abençoado México.
quarta-feira, 24 de março de 2010
O protagonista é outro gaúcho, mas todos esperam o mesmo final
A convocação final para a próxima copa do mundo está próxima e os 192 milhões de brasileiros compartilham a mesma dúvida: Ronaldinho Gaúcho vai ou não vai? Sintonize em qualquer programa de mesa redonda e essa pergunta será o foco da discussão. A argumentação principal é muito boa, visível todos os finais de semana por quem acompanha o Calccio na tela da RAI, nos jogos do Milan em sua casa, o belo San Siro. A título de informação, o estádio é municipal, dividido entre milaneses e torcedores da Inter, que o chamam Giuseppe Meazza, em homenagem a um antigo ídolo. Ambos os clubes pagam aluguel a cidade de Milão quando necessitam usá-lo. O estádio é todo dividido em vermelho e azul, desde vestiários (o da Inter bem mais moderno) até a lojinha de souvenirs. O camarote Dolce & Gabbana atende a gregos e troianos endinheirados, diferentemente da Pirelli, que aparece apenas quando o time de José Mourinho entra em campo.
Essa interrogação geral me remete imediatamente à 2002, substituindo a dupla Dunga-RG por Felipão-Romário. Naquela ocasião havia um clamor popular para que Felipão deixasse o baixinho fazer parte da família Scolari. O sisudo gaúcho tinha suas próprias crenças, estratégia muito bem definida, competência e fé no trabalho em equipe. O resultado final dessa decisão todos já sabem e tiveram que engolir antes de comemorar.
Tenho fortes indícios para crer que o Dunga não tem dúvida. Talvez o Jorginho também não a tenha. Ele também é gaúcho, também sisudo e, ao menos até agora, competente no desafio de comandar a seleção canarinho. Chegou desacreditado, ouvindo do mundo inteiro que não era técnico de futebol, tendo que liderar a melhor seleção do mundo abalada pelo fracasso do quadrado mágico na Alemanha. Contra tudo e contra todos, ele resgatou nos jogadores o orgulho de vestir a amarelinha, montou um time de futebol onde atletas e comissão técnica têm os mesmos objetivos. Você pode discordar de um jogador ou outro, mas não pode negar o sucesso do trabalho do Dunga, os números não mentem.
Dunga provavelmente não levará Ronaldinho. Ele não o vê como parte do grupo, talvez não acredite que ele possa integrar o banco de reservas, por exemplo. Ele também não aprova festas regadas a lemoncello e meretrizes na véspera de um jogo importante, questão de comportamento, vital para um típico disciplinador. Por outro lado, valoriza quem carregou o piano junto com ele, quem participou do processo de reconquistar o orgulho de nós brasileiros ao torcer. Esses comeram o pão que o diabo amassou e, em teoria, têm direito ao caviar africano.
Eu não tinha uma opinião formada até assistir alguns jogos do Milan. Meu pêndulo da decisão oscilava entre o talento nato do aspirante a vaga e a convicção de quem terá que tomar a difícil decisão. No lugar do Dunga, eu levaria o Ronaldinho. Acredito piamente no trabalho árduo e o talento me fascina. Não seria titular inicialmente, o time base do Brasil está bem definido, embora eu e muitos outros contestemos outros jogadores. Gilberto Silva é minha principal dor de cabeça quando penso na seleção, mas ouvi um papo ao pé do ouvido do Dunga com ele: "Sua situação é idêntica a minha em 94". Embora ainda relutante, vi bem o que nosso capitão fez e acredito que possa fazer sentido, só me resta torcer.
Metade do segundo tempo e nada. Marcação cerrada, jogo truncado no meio-campo, tensão total, você olha pro banco e vê um cara que pode fazer algo diferente, limpar um adversário em fração de segundos e mudar a cara do jogo. Ronaldinho Gaúcho é um reserva de luxo que nos daria um leque de opções não disponíveis hoje em nosso arsenal de guerreiros. Ele sabe que está fora do grupo, e também vê a oportunidade de ganhar uma segunda copa, de entrar pra história mais uma vez. Não creio que perderia a oportunidade de encantar a todos como em 2002, mesmo que seja pra sair do banco de suplentes.
Essa interrogação geral me remete imediatamente à 2002, substituindo a dupla Dunga-RG por Felipão-Romário. Naquela ocasião havia um clamor popular para que Felipão deixasse o baixinho fazer parte da família Scolari. O sisudo gaúcho tinha suas próprias crenças, estratégia muito bem definida, competência e fé no trabalho em equipe. O resultado final dessa decisão todos já sabem e tiveram que engolir antes de comemorar.
Tenho fortes indícios para crer que o Dunga não tem dúvida. Talvez o Jorginho também não a tenha. Ele também é gaúcho, também sisudo e, ao menos até agora, competente no desafio de comandar a seleção canarinho. Chegou desacreditado, ouvindo do mundo inteiro que não era técnico de futebol, tendo que liderar a melhor seleção do mundo abalada pelo fracasso do quadrado mágico na Alemanha. Contra tudo e contra todos, ele resgatou nos jogadores o orgulho de vestir a amarelinha, montou um time de futebol onde atletas e comissão técnica têm os mesmos objetivos. Você pode discordar de um jogador ou outro, mas não pode negar o sucesso do trabalho do Dunga, os números não mentem.
Dunga provavelmente não levará Ronaldinho. Ele não o vê como parte do grupo, talvez não acredite que ele possa integrar o banco de reservas, por exemplo. Ele também não aprova festas regadas a lemoncello e meretrizes na véspera de um jogo importante, questão de comportamento, vital para um típico disciplinador. Por outro lado, valoriza quem carregou o piano junto com ele, quem participou do processo de reconquistar o orgulho de nós brasileiros ao torcer. Esses comeram o pão que o diabo amassou e, em teoria, têm direito ao caviar africano.
Eu não tinha uma opinião formada até assistir alguns jogos do Milan. Meu pêndulo da decisão oscilava entre o talento nato do aspirante a vaga e a convicção de quem terá que tomar a difícil decisão. No lugar do Dunga, eu levaria o Ronaldinho. Acredito piamente no trabalho árduo e o talento me fascina. Não seria titular inicialmente, o time base do Brasil está bem definido, embora eu e muitos outros contestemos outros jogadores. Gilberto Silva é minha principal dor de cabeça quando penso na seleção, mas ouvi um papo ao pé do ouvido do Dunga com ele: "Sua situação é idêntica a minha em 94". Embora ainda relutante, vi bem o que nosso capitão fez e acredito que possa fazer sentido, só me resta torcer.
Metade do segundo tempo e nada. Marcação cerrada, jogo truncado no meio-campo, tensão total, você olha pro banco e vê um cara que pode fazer algo diferente, limpar um adversário em fração de segundos e mudar a cara do jogo. Ronaldinho Gaúcho é um reserva de luxo que nos daria um leque de opções não disponíveis hoje em nosso arsenal de guerreiros. Ele sabe que está fora do grupo, e também vê a oportunidade de ganhar uma segunda copa, de entrar pra história mais uma vez. Não creio que perderia a oportunidade de encantar a todos como em 2002, mesmo que seja pra sair do banco de suplentes.
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