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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Semana 3

Dois desafios infinitamente menores que os 42km da maratona ficaram claros pra mim essa semana - a chuva e a agenda. Correr 7km na esteira dentro de uma academia já é terrível, imagino quando os treinos forem mais longos. Essa semana ainda pude acompanhar as novidades do governo pós-eleição na televisão, o que me entreteve um pouco enquanto suava sem sair do lugar.

Organizar a agenda de treinos é desafiador quando se tem duas crianças para cuidar, além de uma esposa festeira que trabalha aos finais de semana. Resultado: acabei correndo ao sol de 12-13h, o que foi interessante para variar as condições da minha corrida. É importante acostumar-se a correr em horários e condições distintas.

Notei um terceiro, mas acho que não entra na categoria de menores que os 42km, a ansiedade. Olhando a todo instante para o relógio (Garmin), me perguntei se isso funcionaria durante aproximadamente 4 horas. É certo que ainda me preocupo em manter um ritmo cadenciado, basicamente para não "gastar" mais que deveria. Também é certo que, tendo a informação no seu pulso, você fica olhando para ver quanto falta - receio que seja natural do ser humano.

Com uma programação intensa de treinos toda semana, não escaparei da chuva. Na próxima levarei uma música para ver se funciona. Aproveitarei o fato que meus filhos acordam muito cedo para tentar correr de manhã aos finais de semana. Já a ansiedade acho que aprenderei a controlar com o tempo, hoje os treinos são curtos e "faz diferença" olhar toda hora, daqui a pouco não mudará muita coisa. Pretendo também alterar a configuração do Garmin conforme aumente meus treinos - para que ele me "avise" em momentos chaves, e provavelmente mais espaçados que os atuais 1km.

Percebi também, ainda na semana passada, que depois de 3 semanas sinto dores leves nos calcanhares. Pode ser que minha passada tenha o calcanhar como primeiro ponto de contato com o piso ele. Como meu tênis já é ancião, um Asics Nimbus 14 de 2012/13, comecei a ler sobre tênis de corrida e aprendi que hoje existe uma classificação entre Amortecimento, Estabilidade e Running de Performance. Estou entendendo melhor para aproveitar a Black Friday :-), em breve contarei detalhes da minha escolha.




segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Semana 2

A primeira semana literalmente completa, treinando todos os sete dias. Ainda não estou na fase dos longos, intercalei 5km contínuos com 10 tiros de 200m de segunda-feira a domingo, incluindo as rotineiras cinco sessões de musculação na academia.

Nos início fiquei mais cançado que na segunda metade da semana, talvez esteja me acostumando a sofrer, o que é chave neste processo. Treinei pela primeira vez na esteira, devido a forte chuva, e não gostei. Correr sem sair do lugar, ainda por cima no treino de tiros onde você deve chegar ao seu máximo em termos de velocidade; bom, você pode imaginar o risco de acidente com a esteira beirando os 20km/h e você tendo que saltar e colocar os pés na lateral :(. Corri na chuva outro dia, mas dessa vez chuva pesada, de encharcar e pesar o tênis.

Pude percerber que nas situações de maior dificuldade a gente cresce, deve ser algum hormônio trabalhando - a chuva torrencial, o final de semana com milhares de compromissos com as crianças e com o voto, outro dia que fui para a pista muito tarde. O típico desânimo pode ser convertido em energia extra quando temos uma meta, um objetivo, ainda que distante. Essa semana não pensei muito na "impossibilidade" dos 42km, já consegui focar mais nos desafios de curto prazo. Já havia lido a respeito de pessoas que fizeram coisas extraordinárias quando levadas ao extremo, começo a entender um pouquinho dessa "mecânica".

Hoje é descanso merecido (só da corrida, a academia me aguarda!), e amanhã começa a semana 3 :)

Abraço,

Fatura

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Saindo da inércia

Já doei muita roupa, eletrodomésticos, móveis, comida e até dinheiro aos mais necessitados, mas a pouco tempo comecei a doar algo muito mais valioso, meu tempo. Pouco mais de um ano atrás visitamos, eu e meu irmão Flavio, a cidade mais pobre do Brasil que não está no nordeste, São João das Missões-MG - escreverei sobre essa experiência em outro post em breve. Tínhamos o objetivo principal de entender uma realidade que desconhecíamos basicamente para criar um negócio social, mas acho que aprendemos muito mais que isso.

Ontem iniciei minha jornada em um projeto social a 10km da minha casa, dando aulas básicas de informática, com objetivo de inclusão digital da comunidade. O Alumia é um centro de entretenimento, cultura e lazer idealizado pela Virgínia, mãe de uma coleguinha da Joana no Jardim de Infância. Virgínia é daquelas "fora da curva", largou o mundo das agências de publicidade para criar esse lindo projeto do nada. Não se trata de uma comunidade pobre como a que visitamos em Missões, não falta comida e moradia, mas são muito restritas as oportunidades que as pessoas têm, para não dizer quase nenhuma.

Na turma mais básica, a maioria são empregadas domésticas por falta de opção, ou simplesmente para fugir de alternativas mais custosas como por exemplo a prostituição. Querem aprender informática para tentar algo melhor na vida, obviamente - sinto que têm um sonho que parece muito distante. É uma mudança difícil, não há apoio governamental ou empresas do setor privado olhando essa situação com o devido carinho. Meu coração inflou mesmo foi quando elas falaram dos filhos, que querem aprender o básico para motivar os filhos a buscar algo diferente na vida.

Na outra turma, dos jovens (ainda não os filhos das domésticas, mas uma projeção futura deles), pude ter mais noção da responsabilidade que tenho, e do impacto que posso fomentar. Meninos e meninas de 13 a 17 anos que simplesmente não querem seguir os passos dos pais, querem  estudar, se capacitar e buscar um lugar melhor ao sol. Certamente não vou me ater apenas as aulas, já comecei a acionar uma rede de contatos, inclusive muitos que doaram os computadores para que esse curso fosse possível, para ajudar em uma transformação mais completa, de ponta a ponta.

Tenho a sensação que se conseguir transmitir e eles conseguirem absorver 10% do que tenho planejado, ajudarei na transformação dessa comunidade. É desafiador, mas acho que vai valer a pena.

Islaine, William, Vinícius, Moacir Felipe, Gleiciane, Rosa e Alice, quero muito ajudar vocês, contem comigo!

Fernando "Fatura" Pucci

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Semana 1

Dúvidas bem básicas como: a semana começa na segunda-feira ou no domingo? Faço o treino de corrida na sequência do muscular ou em horários completamente diferentes? Intercalo os dias de descanso ou não? Treino tiros aqui do lado de casa pela facilidade logísitica, embora com subida leve, ou vou até a pista de corrida? E a nada básica e mais cruel de todas, rondando a cabeça quase toda hora: será que vou conseguir?

A semana 1 é muito tranquila, os treinos conínuos são suaves e consegui melhorar meu tempo ao longo da semana, passando de 18´ para 17´ e controlando bem meus batimentos cardíacos. Já o treino de tiros, pra quem nunca tinha feito um, foi bem "interessante". São apenas 200 metros, mas dar o seu máximo (cheguei a 2,82´/km) nessa curta distância, com intervalo de 1´, 10 vezes, não é mole. Jamais havia notado como 1´passa tão rápido antes.

Resolvi boa parte das minhas dúvidas, minha semana vai começar na segunda-feira, farei os treinos na sequência apenas enquanto forem menores que 5km, intercalarei os dias de descanso quando possível e trainarei aqui do lado de casa os tiros. Ah, quanto a mais perversa de todas, vou trabalhá-la no longo prazo: Passo a passo, ou semana a semana, vou ganhar confiança na mesma medida que o preparo físico, e espero acabar com ela completamente em um ano.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Maratona

17/out/2018 - começo de um dos maiores desafios da minha vida, arrancada de um projeto daqueles que de cara você pensa que é impossível: correr uma maratona em 2019, quando completarei 40 anos de idade - eu sei o que você está pensando.

Encarar um projeto tão desafiador e de longo prazo demanda muita preparação: planejamento de treinos musculares e de corrida, nutricional, logístico e mental. Isso mesmo, não é a toa que não se vêem muitos jovens correndo uma maratona, trata-se de um desafio hercúleo que quebra muita gente no meio do caminho, mais especificamente por volta dos 30-35km.

Não quero perder o foco no objetivo final, mas meu plano é literalmente passo a passo, incremental. Não se chega aos 42 km sem correr o 1o km. Segue uma pequena parte ~25% do meu plano de treinamento, com duração aproximada de 1 ano, que teve início hoje, com chuva para abençoar


São semanas, microciclos que se integram em mesociclos, que então se unem em um macrociclo. Tecniquês que define um longo e intenso programa de treinos para que eu complete uma maratona. Sim, meu objetivo é completar os 42km - é um desafio pessoal, nada contra o relógio, apenas a favor e contra eu mesmo. Nesse momento tenho rasa idéia do que aprenderei nesse caminho, mas suspeito que lições valiosas sobre planejamento, resiliência, liderança, trabalho em equipe, superação, sofrimento, concentração, auto-conhecimento, nutrição, biomecânica, fisiologia, foco e fé.

Você nem pensa em começar essa brincadeira sozinho, portanto lhes apresento "minha equipe" -  Isabela, esposa de quem busco amor, inspiração e motivação, Tchelo, irmão e educador físico responsável pelo planejamento dos treinos, de quem aproveito o conhecimento técnico e sugo energia (aquele uhu!), e de uma nutricionista esportiva que ainda nem conheço, de quem espero um guia para alimentar a máquina que vai me carregar por essa jornada, meu corpo. Imaginar meus filhos Joana e Tomás na linha de chegada, mesmo que entendendo muito pouco o que o pai faz ali, me empolga bastante, portanto o time também inclui 2 mascotinhos especiais. Deles espero apenas um sorriso e um grito "papai" quando me virem próximo a linha de chegada.

Vem correr comigo :)

Um abraço,
Fernando "Fatura" Pucci



quarta-feira, 14 de junho de 2017

O que aprendo todos os dias com minha filha

Aprendi rápido, antes mesmo de ouvir da Joana semana passada: "celular não papai". Entretanto, como usualmente nessa vida maluca, é sempre bom ser lembrado das suas prioridades de tempos em tempos. Creio que foi pouco depois dela completar um ano de vida, deve ter evoluído proporcionalmente ao nosso processo de interação.

Nós nunca imaginamos como vai ser, e para ser sincero, no começo fazemos de tudo para continuar com rotinas anteriores, tocando a vida como ela era. Costumo dizer que ter filhos é o que mais transforma uma vida. Já saí de casa bem novo, mudei de cidade, de estado, de país, morei sozinho e com um bando de amigos, casei. Nada disso se aproxima do quão disruptivo é ser pai. A internet ajuda a te dar uma idéia, com o recente vídeo do treinador lituano de basquete que liberou um jogador brasileiro para acompanhar o nascimento de seu filho. É o auge da experiência humana.

É sublime perceber o quanto aprendo, suspeito que muito mais que ensino. Ela me faz ter melhor noção de tempo, quando tomamos o café da manhã juntos de manhã ou o "papa" a tarde. Me ensina a importância do foco, quando tenho que me concentrar nas leituras, ou da necessidade de mudar ele quando de repente tenho que virar cartunista de quadro negro. Também tenho aulas de iniciativa quando escovamos seus dentes, e de inovação quando ela ensaia o uso do vaso sanitário. Sou mestre em resiliência graças a senhorita "Não!". Aprendo a dar sem esperar nada em troca, quase que a todo instante. Ela me ensina a sorrir quando nem tudo são flores, e também a chorar por coisas pequenas. Tomo injeção de ânimo e alegria todos os dias quando voltamos cantarolando da escola.

Hoje tenho na minha agenda, devidamente registrados no Outlook:
8h15 - levar Joana no Jardim de Infãncia;
12h15 - buscar Joana;
18h30 - Jantar Joana;
20h - ler historinhas, agradecer pelo dia e colocar Joana para dormir.
Cantar com ela no carro de manhã, quando ela pede "Cagrejo" e "Foguete", é meu café da manhã - alimenta a alma e me prepara para o dia. Meio dia, ao som de "Canoa", "Galo" e "Alecrim", dou risada sozinho das experiências escolares dela: "Hoje fiz pão papai", "Bem alto", referindo-se as suas estripulias no balanço do lote. Ler "Patrick, o panda" e "Bibo no mercado" me fazem sentir tão bem que, assim que ela dorme, trabalho até 23h sem perceber - quando não durmo no processo, agora que Tomás chegou para começar tudo de novo :)

Saber que algo dura pouco é o melhor combustível para fazer você aproveitar ao máximo qualquer coisa. A noção de que algo vai acabar faz milagres (qualquer dia conto como conheço mais Shanghai que Belo Horizonte). Eu sei que daqui a pouco ela só vai querer os amigos, os amores e até vai me achar chato, grudento e/ou algo do gênero. Por isso não pretendo negociar muito essas prioridades, estou aproveitando demais essa oportunidade que a vida me deu.

terça-feira, 8 de março de 2016

Como não amar as mulheres?

minha mãe, guerreira que criou os filhos longe de casa enquanto papai trocava turno na empresa...
que chorou ao me ver saindo de casa tão novo, mas que teve a sabedoria para ser "egoísta", pensando mais em mim no que nela própria...
minhas avós, que foram muito mais que mães em 1996...
tia Gloria, ah a tia Gloria...
fazia tudo por nós (e que pão de queijo!) e amava a gente como filhos...
Eni, nossa empregada que decia a mão em qualquer um que nos ameaçasse, que bela, ogra (ainda me lembro do amassado na porta do quarto) e doce figura.....
minha madrinha, que sempre fez questão de estar perto mesmo de longe...
e sempre me passou uma imagem de sucesso ao desbravar o mato grosso do sul...
uma menina linda que conheci em Campos do Jordão, que virou a namorada guerreira da ponte aérea, que se transformou numa fantástica esposa, e que mais recentemente me abençoou com a criatura mais linda e meiga, minha filha...